Confio


Dos jornalistas que se aventuram na literatura exige-se que levem uma vida dupla,
isto é, que usem duas canetas,
uma para os romances, contos e poemas,
outra para as notícias e reportagens."

José de Broucker - jornalista francês


Confio um brinde a simplicidade!
Para que seja sempre
a melhor atitude de sofisticação.


domingo, 19 de dezembro de 2010

"Óleos" de Lorenzo

Não estávamos na Colômbia e nem em Londres...
Moscou e tanto quanto no Canadá. Alguns apontariam Portugal, Roma ou Bogotá.
Mas não, diante do local que nos encontrávamos, somente ares de cais portuário. Calor bonito de velas, arquitetura confortável, decorações finas, barulho sonoro de água do mar. Na parede e na gastronomia o finesee do Brasil Imperial e guardanapos que marquei com meu batom
[e alguma moral].
A minha ice bateu com a tua...
com a tua cerveja, de marca comum. E tu, firme a me olhar de azul.
Mas no momento eu tinha sede e nenhuma pretensão. Jamais escondi minha preferência por destilados. O gosto do álcool, muitas vezes processado, na garganta. E no tempo de me acomodar, depois de um evento protocolar, foi que senti tua voz no meu ouvido se aproximando e elogiando a agradável sonoridade da fala, da postura, da condução segura, do contorno da minha boca, [sem qualquer timidez]. Proferi que nada tímido era usted e agradeci com jeito, afinal, eu não poderia suspeitar qualquer escolha tua, que fosse. Nada conhecia, a não ser os suspiros visíveis que arrancastes das convidadas da noite. Das muitas que se preendiam naquele jeito secular.
Teu olho se confundiu com a minha blusa e minha roupa se perdeu no blue do teu olhar. Se é que consigo executar alguma explicação: descrevi pra mim um azul picante, de rivalidade, de dois times riograndenses, [círculo tático]. Charme, charme e aroma amadeirado, conquistador e acima de tudo elegante.
Não tocastes nenhum instrumento naquela noite. Preferiu tocar minha pele sem permissão, mas com educação. Teria vários discursos pra ativar na minha nuca, mas optou por me impressionar ao me olhar com a boca e indiscretamente me investigar. Jornalismo Investigativo sem formação, fascinando-me aos poucos. Senti o toque do perigo, do enfrentamento, de toda a atitude masculina [do teu gravador ocular].
Bebias e me procurava. Pois, desafiou-me e eu, por horas, concentrada resisti, arrependida ou assustada [não sei dizer]. Segundo a segundo se aproximavas. Parecia se sentir apto para ler meu destino, interpretar meu off.
Até que me apresentastes a família antes mesmo de me dizer o próprio nome. Não esperava menos quando entregastes a identidade. Letra forte, que combinava com os teus olhos, ["óleos" de[...] Não ganhou minha confiança, mas nossa conversa foi histórica. Um intercâmbio cultural sem que precissssemos nos movimentar dali. Tinhas um cargo importante e por meio de fontes, [descobri]!
Fui me afundando naquele olhar de mar, digno das profundezas, protegido durante anos por deuses até ganhar, com o certo tempo, um corpo humano para vislumbrar e cativar.
Olhos celestiais e pouco inocentes... Machado descreveu os de Capitu, mas jamais conseguiria descrever os teus olhos, se vivo estivesse e se mulher fosse.
Acordei, no outro dia...
com a tua ligação de brincadeira,
com os teus "óleos" azuis, piscando os verdes meus.
"Saiba compreender a direção do teu olhar! Reinado."

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Agenda, aí

Qualquer dia, sim

[e aqui o talvez...não terá sua vez e fim] vou poetizar meu profissionalismo,

até lá tão mais maduro, para um reconhecimento sócio-cultural.

A vida em fios de ouro [como gosto, de profetizar]. Manterei a conduta humilde

e o perfume simpático e vou colorir a moldura. Vou investir na nossa gente

[discrente e demente] de embocadura, E em você,

que se fará rir e chorar sobre a poeira que te interrogará:

"por que não te permitiu lê-la, fielmente?!"

[Um dia fora livro, agora tornou-se história, cobra d´água]

[vertente].

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Como, um segredo

"E quando ali retornarmos. Verás que nunca nos fomos. Pois o lugar onde estamos
O lugar onde estaremos. É sempre o lugar que somos."
Tirou a roupa, e assim mesmo continuava sentindo o corpo apertado.
Tomou um banho. Deixo-se aliviar com a água, [higienizar os sentimentos].
Persistente nas decisões, no signo da personalidade e por dentro...
[incêndio de vontade, de medos, de horas e de atitudes incertas]. Indecisões...
Não saberia lhe dizer se antes de deitar optou por água, cerveja, uísque ou um vinho qualquer....
Já te falaram, caro leitor, que quando escolhemos os atos... escolhemos para sempre, e sempre?! [ se eles não duram para o resto da vida, bem... ao menos marcam eternamente].
Pois, também sinto um toque de pavor em não poder fotografar em grande angular, [com a precisão da observação] se antes de deitar ele pensou em dar mais uma chance a familia do futuro, aos sonhos, as promessas de um novo ano...[a dor e ao amor, a realidade].
Ninguém vive a inteira vida sozinho leitor, ninguém.
Há bares atrás, esteve diante de um copo com bebida alcoolica, e direito, mal podia beber. Estava lateralmente coagido por dois pares de olhos e não conseguia permancer neles, se não por alguns intantes. [Incômodo], era o que carregava física e interiormente.
Trazia no bolso os versos que ela escreveu para seus olhos. Quanto tempo.. quantos anos tinham? Ela quatorze, e ele quinze, e isso se deu em 1888.
O grafite da poesia falava em olhos verdes, e outro momento, quando o leu pela primeira vez, acreditou que fossem os seus próprios olhos. Engraçado, mas os olhos dele não chegavam a ser verdes, tinham mais a cor da folha quase seca do limão ou talvez o amarelo tenro das areia das praias de Laguna, revolvido pelas mudanças da lua, do vento frenético... que gingava os pesqueiros ao mar.
A voz do som ambiente não agradava completamente, mas a primeira música, em letra, pedia paciência [para essa vida que não para, que é tão rara, que acelera e pede pressa].
Chegou pensar que os versos, aos olhos verdes, não foram escritos para ele, porque afinal, seus olhos não tinham a cor descrita. Sabia em conhecimento que, embora ela escolhera se apaixonar por dezenas de homens e meninos, mesmo assim... voltaria a se perder em pele e perdição como nalguma preciosa recordação da infância.
E sentado, com os cotovelos sobre aquelas toalhas de mesa de antigamente, julgava que era preciso se abrir com os seus melhores amigos... [um pesar, porque nem a eles sentia confiança naqueles espaço de tempo e som]. Sensação de pimenta na garganta, do medroso gostar [coisas que lhe fizeram febre de manter a palavra para sair dali, somente... se fosse rumo a própria casa].
Naquele horário.. onde cada um pegou o destino da noite, cortaram suas asas de poeta. No fundo, ele necessitava mesmo era de um castelo que lhe oferecesse jantares para onde pudesse brilhar, com suas críticas espirituosas, diante de ministros, de generais, de músicos ilustres, de embaixadores. Diante do imperador e de outros poetas, pessoas que o pusessem no lugar das estrelas. Afinal, para que diabos uma pessoa estuda e trabalha tanto?
Mas, para aquele ano e naqueles exatos ponteiros de horas, a alma dele se perdia envolta na neblina que o dia não tinha. Indecifrável e sem pecado em castelos de nuvens.
Esfinge...
como, um segredo.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Para Escrever, Pablo Neruda


"Escrever é fácil: você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca as ideias.”

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Nós, Três, e a Sorte

E a conversa foi tão intimamente pessoal...
Que desorganizou a minha percepção do asfalto,
Deixe-me conduzir para aperfeiçoar as conexões! Alienar as confusões...
Nem o velocímetro observei. [Mergulhei nos experimentos]
[naquele dia não estava me sentido responsável, um dedo de desrepeito..
e um tanto quanto desleal, por merecimento]
Sexta-feira e o destino era bem perto.
Enquanto à noite quente apimentava os movimentos,
nós éramos três a comer vivos, alguns fragmentos.
Era como se pintássemos a tinta.. muitos sentidos
[em desenho: alguns sofrimentos].
Três opiniões formadas, ao menos para aquele instante de sorte.
Seres humanos que a natureza produziu... repassando a escrita dos erros ou mesmo as tentativas daquilo que julgamos serem grandes acertos [ o passado, passado, em depoimentos].
Sabe, a conversa foi tão boa, fez-me perder as paisagens
que ligeiramente procuravam meu abraçar.
[Gosto tanto dos abraços...]
Carinho ousado.. (uns) poucos sabem aproveitar!
Mulher. Homem. Saudade.
Ao contrário de sempre, desta vez preferi escutar, e foi aí que um comentário me reteu:
- [na sua grande maioria] Nós, homens... falamos coisas bonitas, prometemos o mundo, cheiramos com amor o pescoço de vocês.[tudo pelo ato final do prazer]. Agora, quer saber quando realmente há um interesse maior do que propriamente sexo?! Avaliem se depois do orgasmo ele procura a tua presença, te trata com carinho, te beija com cuidado.. te mostra para os amigos, brinca contigo...quer saber da tua vida, mesmo em soneto casual! Porque eu, quando não há conquista, depois que o trabalho está bem (sastis)feito [com todo o respeito]...
desejo é sumir do lugar. Mulher tem que se valorizar. Tem que fazer-se admirar!!! Quando você cresce em admiração, cresce em importância e não somente em sexo, em corpo, em desejo. No homem, além do que naturalmente cresce, haha, expande também o observar. Dispam-se, também de talento!
[me deixei por risos, afinal, eu conhecia a capacidade, a integridade do meu parceiro, editor de comunicação]. Era verdadeiro, tinha família, falava com verdade. Houve a troca de assunto e interceptei, com batom e realidade.
- Saudade é que é uma delícia, dificuldade e aí sim alguma conquista. Li em algum olhar que sentir saudade é sentir fome. Saudade é a fome que se mata apenas quando se come.
Fomos no momento poucos, [de intensas quilômetragens]
O som cantava Cartola, "Fita Meus Olhos",
Fita os meus olhos/ Vê como eles falam/ Vê como reparam o seu proceder/ Não é preciso dizer deve compreender/ Num olhar o que eu quero dizer.
De um atraso na saída, para um quebra de sigilo na chegada.
[chave e fechadura] caro leitor,
tratamos de assuntos que minha escrita não é capaz de suportar.
Eu clamo por Sorte,
por um asfalto que soube nos embriagar.
"Sorte é o encontro da oportunidade com a capacidade".
(Ernest Hemingway in "O Velho e o Mar")

domingo, 21 de novembro de 2010

Pauta Simples

Era um final de entardecer...
que a noite tomara nos braços .
Um violão de cordas a arder...
no pulso o carinho do espaço.

Mais que arranhar os anos vividos
Coca-cola, cerveja, prazer.
O bom futuro é percorrer família e amigos...
Com fotografia e imagem, escrever.

Um trovão pode estremecer vidraças,
Mas na mão do poeta,
o amor é a lei.
Para castelo de príncipe,
Princesa ameaça:
rainha, rato e dignidade de rei.

No entanto, só a letra sincera,
na boca de quem um brinde pondera...
é tiro em discurso

que estilhaça.

Baby, Baby,
hey
Sei e não sei

Se existe corte real

E algum título imortal,
Pra pagar o preço por todo esse encanto...
um canto..

Simplicidade é a sofisticação que quero

“faz serenata”
“farra no telhado”
Olho de gata,

lero lero

Meu bem, hey
a pauta é simples
Escrita para viver

Baby baby
Sei e não sei
Que o off da vida, escreve
E ensina ... escrever.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O homem, e as águas de (teus) rios

Teve dias que perguntara para si ...se existia, mesmo!
Estado de êxtase,
[Supremacia]
Houve datas contrárias aquelas em que, com os dedos,
apertava, arranhava, sentia a pele e percebia que possuía sinais de vida.
[Democracia]
Aconteceu que aquele homem acabara perdendo um pouco do sentido...
ou seria melhor dizer... ganhado alguma noção?!
[Desculpe-me, infelizmente, não conseguirei lhe contar com oniscência essa ocasião interior].

Ao invés de narcóticos foi se aliviar nas estradas de chão.
Viajou além da quantidade limite que a gasolina, que movia o carro no momento, permitiria. Desceu o vidro, deixou-se empoeirar com o pólen das plantações.
No retrovisor... quanta fotografia perdida, quantas paisagens retalhadas... vastidão que desprende a retina...
(a)prendeu o homem que acreditava ter ... uma feroz alma masculina.

Desceu do carro e sentiu, com os pés descalços, a terra vermelha do chão. Pulsação.
Caminhou, machucou a pele delicada ... e encontrou águas de outros rios.
[riso].
A beira daquele pequeno mar da natureza, nem tanta beleza...
acima estava a devastação, abaixo o que desconheço.
Mesmo assim, deixou-se conduzir por seu momento e (só), a solidão! Sensação que não se traduziu no fato de viver sozinho. A solidão, na verdade, indicava sim, a tal incapacidade de fazer companhia a alguém ou a alguma coisa que estava dentro de si....
Nem tão doce, nem tão profano. Tinha sim um tal gosto pelo poder... era humano! Aspirava acontecer, dissolver, transmitir conhecimento. Não tinha pressa, mas porque haveria de perder tempo? Um lápis precisa de ponta para exercer sua função. Ferir o papel.
Incerdiar qualquer amor de perdição.
Interfiro nessa história e coloco um trecho de Fernando Pessoa em algum canção:
Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlaçemos as mãos).
Volto ao homem, ao seu momento de (in)consciência e ao círculo ocular da composição. Nesse relato, ele permanece sentado, a beira das águas de (teus) tantos rios, querendo compreender o amplo contexto...
[pretexto]
40 anos e tanta ingenuidade...
[ na vida, compreensão é insanidade].

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Sinto que nasci...

Acordei, meio sem jeito! Afinal, não são mais os esperados 15
e sei que pra 80 sobram muitos anos ainda...
No entanto, levantei com uma beleza faminta,
numa manhã que o chegar da tarde, hora ou outra, a noite finda.
Apesar do despertar acanhado, caminhei com gosto,
gosto e sabor... como cardápio de mesa em cena de cinema.
Sensação de fruta amadurecendo... presa entre galhos de árvore
Sentido de sol forte alcançando um canto de varanda
Amplitude de tinta azul do céu, que risca, desenha, faz arte
Manda e desmanda.
Caminhei fora de mim, dentro de mim, nas expressões da minha infância...
[ duas décadas de grama verde, de água no riacho correndo livre, de casinha no pé de pêssego, de castelo de areia, de primos invadindo a casa, de vento embaixo da janela, de cachorros e gatos soltos, de terra vermelha, de pés empoeirados, de água limpa para lavar as mãos, de banho de chuva no quintal, banho de lua na calçada, banho de pai e mãe, banho de amor!]
Ah! Há! Amor!
no que ficou, no que me edificou!
E qual tempo que me espera? E o que esperamos do passar do tempo!?
Estão sendo tantos os abraços, tantos os e-mails, tantas as mensagens e ligações...
[carta, cartão]
[ações significativas e simples, e simples e muito simples... e que arrancam do lado mais forte da gente, lágrimas puras, sinceras, suaves.]
E quantos anos ainda poderemos comemorar?! Seja por meio virtual, seja na presença ou em intuição! Por quanto tempo e por quem viveremos? Por quanto tempo e quem por nós viverá?
[ o destino... os sonhos que temos, penso,
e o contorno cada um dará!]
Não pedi luxo, nem confetes, nem grandes publicações.
Pedi por minha família e tendo-a, hoje, com todo o gesto e jeito senti que nasci,
Nasci para viver!
Para trabalhar incansavelmente, para vencer os dias de dor, para ter amor,
para alegrar uma mesa com amigos...
Senti que há 22 anos atrás vim parar nesse mundo
[e um mundo de coisas veio parar em mim].
Algumas lembranças caducaram. Outras estremecem e causam febre ao corpo. Assinei com a tinta azul dos poetas, tinta azul marcante, silenciosa para escrever, um dia a mais e/ou dia a menos, enfim.
No meu dia, não peço mais!
Agradeço! Por todos aqueles que enchem meu tempo de significado
Que colocam seus dedos no meu coração.
Sinto que nasci ...
e há tanto pra nascer ainda...

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Sérgio Moraes Sampaio, compositor carioca

tudo cruel
tudo sistema
torre babel
falso dilema
é uma dor que não esconde seu papel [..]

o amor tá quase mudo
minha voz também
cruel é isso tudo


o amor tá quase mudo...

M. Quintana, Caderno H

"Havia antes, por exemplo, os cafés sentados, fumados, conversados onde a gente arrasava o mundo, mas renovava o sonho, o ideário, a vida.

Agora, só existem esses cafés de barranco por onde se passa às pressas e indigninamente como numa fila de desaguadouro público. Por isso é que a geração de hoje parece tão no ar. Não tem tempo de sentar. Para bem as sentar as idéias é preciso primeiro sentar-se"

O dono de Capitu


terça-feira, 26 de outubro de 2010

Os bastidores

Melhor resolução, aqui: http://www.youtube.com/watch?v=gHAes9yUjns

O "poetinha", Vinicius de Moraes

Porque a poesia foi para mim uma mulher cruel em cujos braços me abandonei sem remissão, sem sequer pedir perdão a todas as mulheres que por ela abandonei.
E assim como sei que toda a minha vida foi uma luta para que ninguém tivesse mais que lutar: Assim é o canto que te quero cantar, [...]

Reportagem - Células Tronco

Visite o site e confira a nossa programação: www.upf.br/tv

sábado, 16 de outubro de 2010

Caio F. Abreu

Quem consola aquela prostituta? Quem me consola? Quem consola você, que me lê agora e talvez sinta coisas semelhantes? Quem consola este país tristíssimo? Vim pra casa humilde. Depois, um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele. Guardei a minha no bolso. E fui. Não por nobreza: cuidar dele faria com que eu me esquecesse de mim. E fez. Quando gemeu "dói tanto", contei da moça vadia chorando, bebendo e fumando (como num bolero). E quando ele perguntou "porquê?", compreendi ainda mais. Falei: "Porque é daí que nascem as canções". E senti um amor imenso. Por tudo, sem pedir nada de volta. Não-ter pode ser bonito, descobri. Mas pergunto inseguro, assustado: a que será que se destina?

A(r)

risca

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Outubro

Pense, não...
que sou assim de fino trato pra selar esse contrato,
pois não sou perfeita, apesar de eleita e mostrar-me bem segura
minha luz é passageira... fico sempre por um triz..
[lua, nuvem, brisa, parede, giz]

me fará feliz!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

"Olhos de Ressaca"

Quadro de Auguste Renoir

Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, “olhos de cigana oblíqua e dissimulada.” Eu não sabia o que era obliqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me perguntava o que era, se nunca os vira, eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas. A demora da contemplação creio que lhe deu outra idéia do meu intento; imaginou que era um pretexto para mirá-los mais de perto, com os meus olhos longos, constantes, enfiados neles, e a isto atribuo que entrassem a ficar crescidos, crescidos e sombrios, com tal expressão que…
Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros, mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me. Quantos minutos gastamos naquele jogo? Só os relógios do céu terão marcado esse tempo infinito e breve. A eternidade tem as suas pêndulas; nem por não acabar nunca deixa de querer saber a duração das felicidades e dos suplícios. Há de dobrar o gozo aos bem-aventurados do céu conhecer a soma dos tormentos que já terão padecido no inferno os seus inimigos; assim também a quantidade das delícias que terão gozado no céu os seus desafetos aumentará as dores aos condenados do inferno. Este outro suplício escapou ao divino Dante; mas eu não estou aqui para emendar poetas. Estou para contar que, ao cabo de um tempo não marcado, agarrei-me definitivamente aos cabelos de Capitu, mas então com as mãos, e disse-lhe,–para dizer alguma cousa,–que era capaz de os pentear, se quisesse.

Machado de Assis in “Dom Casmurro”
"Não quero medir a altura do tombo, nem passar agosto esperando setembro."
Z.B.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Alma Menina

O suco contornava a superfície interna de um copo de vidro e se espalhava antes de receber a boca e a sede. A polpa movimentava o açucar, expandia-se dentro da própria limitação.
Imitando o líquido, fazia-se o ambiente, inquieto e adoçado: pessoas riam, falavam alt0, executavam seus pedidos. Alguns se concentravam para reuniões, poucos para apreciar o cardápio. A decoração era rústica, as luzes vivas e as cores eram quentes. No entanto, a informação veio como água fria, enquanto, lá fora, a chuva decorria...

- Casou?!

[suspirei e derramei]

O líquido saiu do copo e foi se acalmar na textura da mesa. Os olhos percorreram meu informante e os arredores, infiltraram-se na corrente sanguínea e por pouco senti que iria transbordar da mesma forma que acabara de fazer com a bebida do copo. Solicitei um guardanapo para limpar a mesa molhada e desejei uma toalha de banho para me secar, por dentro.

Engoli o momento com pouca apetite e acredito que a cor do olhar foi procurar a retina em algum trabalho de arte fixado na parede. Pensei em cegueira, mas queria [de verdade] retroceder para bloquear a audição. A boca tremia, a língua enrolava palavras, as pernas enfraqueciam, a energia se diluía e o ar dosava. O aroma cítrico do perfume se confundiu, a notícia trouxe ao corpo hipotermia.

Um simples verbo conjugado ca(u)sou sensação de nudez... Tentei me cobrir com distância. Amortecer o disparo... mas me veio outra lança...

- Tem uma criança! Dois anos de idade.

Perdi o ritmo, sangrei ódio com acessos de contínuos arrepios. Precisei de atendimento.
Cheguei a pensar que tudo era inconsciência de um sonho. Senti o corpo doer, a feminilidade adormecer, profunda...
Se arrependimento,
matasse...
[matou]
uma alma, menina.
Com traços de confiança... ficou
(a) Mulher
Não se deixe viver apenas o que é possível ! Que lhe seja permitido desaprender limites.

terça-feira, 21 de setembro de 2010




"Quase-nada"

[Esperava-me na porta, além de rosas brancas simbolizando a paz de um sentimento que abraçou a pele de amizade, também um livro de contos de vida]
Retrocedo para explicar ao leitor: quase dia claro, encontro-me com o porteiro que, em pleno feriado riograndense, passara para pegar algumas correspondências do prédio.
- A senhorita andou recebendo mais presentes. Coloquei as entregas na tua porta.
Verbalizei um agradecimento ao porteiro e acabei me atrapalhando entre pés e saltos na pressa de chegar até a porta...
Minha porta. Uma parte da casa que passei a gostar de verdade, sentir, tocar com cuidado. Nestes últimos meses, muito mais que proteger meu espaço individual, meu habitat, ela deixou que ficassem recostados em seu corpo amadeirado... poemas, presentes e belas flores. Quisera eu que isso nunca tivesse fim. Logo, logo me mudo e vou sentir saudades das trocas, desses dias que eu só saia de casa para poder voltar e encontrar sentido, valor, auto-estima, [...] sensações acalmadas por uma porta.
Eis que lhe contava que, além das brancas flores endereçadas em consideração a um término afetivo que acontecera no dia anterior, recebi, sem pacote, um livro cheirando histórias dolorosamente humanas. Conforme coloca o autor, uma mistura de lágrimas, desejos e sonhos. Confesso, fiquei comovida quando abri o livro e li na página 65 junto ao capítulo "Cinzas ao mar" o carinho da dedicatória escrita por Valmor Bordin, psiquiatra e autor da obra: "o quase-nada"
Sem ler os contos, peguei meus olhos traduzindo os estilhaços de vidros ilustrados na capa. Logo alcancei, reduzi e ampliei o significado do título: quase-nada.
Enquanto alguns pensam que são quase-tudo, a vida é (quase) nada... e basta pensar que o fim ou o começo de todos é a morte, para auxiliar a reflexão de que orgulho é tolice perto da grandiosidade da humildade em vida. Obrigada Bordin, por compartilhar esse querer, esse desejar compreender a humanidade. Reproduzi Cazuza e agradeci pelas companhias de trabalho, pelos amigos... adocei as mãos pelos retratos de família e desejei viver (quase) ainda mais..
Cazuza, 1987: Li uma vez que você vive não sei quantas mil horas e pode resumir tudo de bom em apenas cinco minutos. O resto é apenas o dia-a-dia. Um olhar, uma lágrima que cai, um abraço... Isso é muito pouco na vida. Então, isso vale mais que tudo para mim. Prefiro não acreditar no Day After, no fim do mundo, no apocalipse.

sábado, 18 de setembro de 2010

Ata -

me.

Não há luto,

pro teu colo[rir]

Investimentos

Acordamos mudos de improviso.
(Re)aconteceu o que já havia acontecido.
Teu aniversário,
e eu me aventurei num poeminha escrito com café, aroma, programação e visto.

Acredito que sentia e pensava tudo ao teu redor. Eu, no teu colo[rir]
permanecia, ouvia, conduzia, fazia ainda melhor.
Sem extensos argumentos, mesmo ja mestranda apta a narrar a descontrução de uma epopéia... para biografar o acontecimento,

escolhi de cima observar, primeiramente. Romântica, sem espaço para heróis - esses deuses ausentes de sofrimento.
No teu cardápio de aniversário quis a imperfeição, o humano de alcance. Romance - a busca do sentido que (me) faltava para a vida.
Entre uma coerência e uma contradição, "O amor físico é sem saída", tentação, pecado, purificação.

Sentia ódio por não esconder meus dedos sinceros e de ouvir de ti somente respiração. Tua respiração, nua, chegando em mim como mãos, querendo justificar pudor. Machado de Assis, no túmulo, soprava o que teus olhos me falavam como boca.
Não quero que esqueças da tua culpa! Afinal, procurou-me novamente e com reincidente malícia. A minha responsabilidade é branca e já assumi , te encontrei com verdade, quase fraca, forjando ser malandra. "Quem se mostra, se encontra, por mais que se perca no caminho. Essa vida é pra mostrar". Mostrei-me [mais uma vez] inconsequente de ternura, rainha de copas, em uma festa com rato e sem rei. Te dei um pouco de trabalho, isso eu sei... E não teria graça, se e não, provocasse alguma inquietação.
Consumindo o equivocado, estilhaçando-me no teu chão...

Ao som da última nota do meu saxofone gostaria, apenas, que essas lembranças morassem com a gente, pois não estarei mais nos teus próximos aniversários.
Vou abraçar outros [investimentos pela frente].
Terceira margem, outra vertente.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Um coração tecno.lógico

Nasceu do amor do pais, sem possibilidade de aperfeiçoamento genético,
até o dia que...
Acordou cheio de fios. Seria possível?
[Laboratório] - a ele fora dada a garantia do domínio, da provocação, do poder.
Do Estado recebera a melhor combinação genética possível - transfusões de DNA.
Hemograma. Alteração da hemoglobina. Sangue coagulado.
Pactuou a vida. Rubricou o contrato.
[queria sentir medo, mas não conseguia]. Algo bloqueava qualquer sentimento democrático.
Abriu os olhos. Tinha a visão das projeções desejadas: lugares, cargos, autoridade, bebidas, felicidade suprema
Cada parte do corpo ganhou o dispositivo exato para acionar profundidades...
Uma armadura metálica substituia a pele branca.
Naquela manhã em que o sol ardia mais que o natural, o corpo se movia digitalmente - uma nova mídia da tecnologia surgia. Evolução? O surpreendente é que a ciência era tamanha e, no entanto, o calor do dia não aquecia. Seria possível?
Seria.
Por dentro, só o frio.... produzia.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O peso das coisas


Já não chega todo o peso que levas nas costas, que diabos ficas a pesar os bolsos, menina?! Sofres mesmo, mas por escolha!

Dispensou qualquer expressão.
Nenhum verbo proferido,
apenas pensou, sem conjugar,
no infinitivo.


Continuou com as rosas no bolso...
Como se fosse possível pesar literatura! Tolice. Sofria com prazer

domingo, 15 de agosto de 2010

"And now my life has changed in so many ways
My independence seems to vanish in the haze
But every now and then I feel so insecure
I know that I just need you like
I've never done before
"
Do que não foi, nem pôde ser, e é tudo.
Dá-me mais vinho, porque a vida é nada.

Ego(ísmo)

E para quem foi teu último adeus?
Deus, por Deus, Meu Deus, ouve-se aos gritos
Exclamo e depois interrogo: Deus!?
Abraços desesperados com os carinho, mistos

Parece que te cobriram toda de flores
Até hoje pela manhã tu te floria de vida
Rubra face em eterna(idade) amanhecida,
E o que faço eu com os teus amores?

Aquilo que foi o teu melhor, nem sei se terá semente
E agora, quantos estão ao teu redor, não acreditando,
Tua sorte! Tens os olhos fechados, não ouve, nem sente

E a tua voz gravada, os escritos, braços e pernas, onde escondo?
Há saudades! Somos tantos definhando...
Pobres mortais e tu eterna, perfumando

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Família, uma riqueza

Pai de ouro
Mãe de ouro
[reservas de valor]
E eu me sinto tão rica.mente
A pai xonada, Feliz, A mãe nhecida

domingo, 1 de agosto de 2010

Semana Motociclistas

CANAL DE NOTÍCIAS - UPF TV
Jornalismo diário a serviço da sua cidadania.

Canal 4 da TV aberta - 15 da NET

Novos Horários de Exibição:
19h30min às 20h das 22h às 22h30min



DE 26 A 31 DE JULHO, PASSO FUNDO COMEMORA A 1ª SEMANA MUNICIPAL DO MOTOCICLISTA. INFORMATIVOS VOLTADOS À CONSCIENTIZAÇÃO NO TRÂNSITO JÁ ESTÃO SENDO DISTRIBUÍDOS.




E PARA COMEMORAR A DATA, NO DIA PRIMEIRO DE AGOSTO VAI SER REALIZADA UMA CONCENTRAÇÃO NA PRAÇA QUE FICA EM FRENTE AO COLÉGIO IE DE PASSO FUNDO. O ENCONTRO VAI CONTAR COM A PARTICIPAÇÃO DE MOTO GRUPOS, EXPOSIÇÃO DE MOTOS E MATEADA. TODOS ESTÃO CONVIDADOS.

domingo, 25 de julho de 2010

Zeca Baleiro, Quase Nada

"Noite alta que revele
Um passeio pela pele
Dia claro madrugada
De nós dois não sei mais nada."

sábado, 17 de julho de 2010

Rubem Alves

Não foi à toa que Adélia Prado disse que "erótica é a alma". Enganam-se aqueles que pensam que erótico é o corpo. O corpo só é erótico pelos mundos que andam nele. A erótica não caminha segundo as direções da carne. Ela vive nos interstícios das palavras. Não existe amor que resista a um corpo vazio de fantasias. Um corpo vazio de fantasias é um instrumento mudo, do qual não sai melodia alguma. Por isso, Nietzsche disse que só existe uma pergunta a ser feita quando se pretende casar: "continuarei a ter prazer em conversar com esta pessoa daqui a 30 anos?"

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Caio Fernando Abreu

"Ou talvez eu só precise de férias,
um porre
e um novo amor."

terça-feira, 13 de julho de 2010

José Saramago

"Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne,
e sangra todo dia."

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Pesquisa Pragmatismo - UPF TV

CANAL DE NOTÍCIAS - UPF TV
Jornalismo diário a serviço da sua cidadania.
Canal 4 da TV aberta - 15 da NET

Horários de Exibição:
12h 30min às 13h e das 19h 30min às 20h

QUANTAS VEZES VOCÊ OUVIU FALAR NA NECESSIDADE DE VALORIZAR A CAPACIDADE DE PENSAR DOS ALUNOS? DE PREPARÁ-LOS PARA QUESTIONAR A REALIDADE? DE UNIR TEORIA E PRÁTICA? ESSAS SÃO ALGUMAS REFLEXÕES DE UM ESTUDIOSO QUE INFLUENCIOU PENSADORES DE VÁRIAS PARTES DO MUNDO. É O QUE VOCÊ ACOMPANHA AGORA EM UMA REPORTAGEM QUE MOSTRA MAIS UM PROJETO DE PESQUISA DA UPF.

domingo, 4 de julho de 2010

Mudanças de estado

Eu naturalmente sólida. Em dia aquecido, um corpo em sublimação.
Sentia minha mudança de estado insistindo no desnecessário. Peguei o primeiro vento que entrara ao encontrar a abertura da janela, só para ouvir o meu suspiro.
Respiro, teor de substância vaporizada.
[Todo o dia é exaustivamente igual. Condenso beleza e energia a rotina. Mas, ingrata ela me erotiza e depois me faz sentir nojo... feito cheiro de incenso. Acaba me desfazendo e me apaga quando, finalmente, acendo].
Hidrodinâmica vou ao bar. Encontro aquele alguém e me despeço em porém. O mundo a minha volta, conhecidos uns, amiga e amigos, não-conhecidos que nem questão faço; ligação no meu celular, mensagem linda, texto assinando saudade...
Solidifico e decido: quero ninguém. Volto à casa, salto alto, maquiagem, perfume vestindo vestido. Vou ao Moinho me sentindo o próprio - girando no olhar e na percepção do desconhecido. Mas, o vento é forte e o giro é rápido, logo, fervo de risos, garganta doendo, peço líquido. Quebro meu gelo, derreto de fora pra dentro, fusão cristalina.
Fico deslumbrando meu descongelamento, proposta de fuga, minhas mudanças de estado. Fuga essa que me leva as mesmas edificações da cidade, faz-me caminhar o mesmo caminho, cheirar a mesma poeira das ruas, esquinas e avenidas. Esbarrar nas repetidas conversas, nas cantadinhas engraçadas, nos homens de mesmo perfil. Mudança de estado que, na prática, não me reconhece em outra cultura. Pintura abstrata, ausência de humor na gravura, assinatura ilegível, uma indigente da tecnologia. Barbaridade, tchê!
Na física, o ambiente modifica a matéria. Pensei em me ionizar, tomar da coragem engarrafada, quem sabe tentar ser mais feliz. Quem dera... quanto mais eu pedia distância, no estado personificado, a fútil aproximação. Meu desejo não sabia mais distinguir o que era importante, então preservava tudo. Tentei trocar de fase,
Evaporar dali!
Isqueiro, fogo, cigarros se acenderam do meu lado..
Borbulhei nos líquidos. Nesse momento não prestei mais atenção em mim!
Era tarde, a noite ja tinha passado,
Ficou branca a visão
A madrugada chegava para aquecer o dia. Nova mudança de estado,
Ebulição.

sábado, 3 de julho de 2010

Ingênua.idade

Tinha algemas...
Pensava que poderia prender a alma gêmea
A proteção estava fragilizada e a fé acabou se perdendo em algum lugar da casa. O amor, por opção, prendeu-se no filtro colocado na cafeteira. Não era prioridade, por isso, ficou por ali mesmo, sem dar gosto a nada, muito menos ao café passado. Tudo muito político e racional. Prático, moderno, tecnológico, atual.
Não se ouvia mais música, nem mesmo aquela interior que resulta no som de um assovio. Os livros ganharam plástico para serem colocados na estante como decoração, protegidos do pó dos dias. Sentimento! Só se fosse aquele materialista, de construir, construir, construir - feito pedreiro; acumular, acumular, acumular - feito gente grande. Uma gente adaptada ao sistema. Condizente a ele.
Naquele mundo de preocupações e cobranças só se pensava em liderança, em ser mais e melhor, melhor e mais. Lutar mais, ganhar mais, trabalhar mais.
Que mundo! Mundo familiar...
Entre um café e outro, percebo o quanto isso não contagia, pelo contrário, estressa e é contagioso. Os aniversários se repetem, se repetem também as insatisfações, as ambições.
Gravo tudo - aúdio e vídeo, edito as imagens, coloco efeitos, filtro, dou cor e na finalização
me repito. Mas a vida não. Oferece-me apenas uma oportunidade. Oportunidade que não sei até onde vai me levar... E até quando será oportuna.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

No corpo de um soneto

Tinha muitas letras espalhadas pelo corpo. Um corpo feito de literatura.
Eu nessas horas, leitura!
Quando ele falava comigo esquecia que tinha ouvidos, alguma parte do meu cérebro bloqueava automaticamente minha audição, ou era alguma parte do coração? Imaginação.. Não sei,
sei...
Apenas o lia, inteiro, sem pudor. As palavras saíam da boca e, nuas, percorriam os contornos do rosto até se vestirem com a pele branca cristal. Um recorte de versos, tecido de humano, que costurava estrofes trajando o delinear das costas, no corpo de um soneto. Era lindo, era lírico, era lúdico, de perder a razão!
Bastava eu desligar minha capacidade de som que a literatura dele acontecia ordinária: provocava, incendiava, fazia carinhos, causava aquela tontura da vodka procedida pelo impulso de um vinho. Tudo mistura louca dos meus dias de frio, mas que pegava de jeito. Seduzia o equilíbrio.

Não, amor nunca foi! Porque, quando se ama, de certa forma se perde muito, se perde todos os dias. E eu ganhava, lucrava todo o feitio.
Era mesmo decisão, ninguém ali queria perder, por isso, bastava eu decidir me apaixonar em exatos dias, que eu o via,
e o corpo dele tecido ...
Tecia poesia.

Clarice L.

“Acho que devemos fazer coisa proibida – senão sufocamos.
Mas sem sentimento de culpa e sim como aviso de que somos livres.”

Melodia do Vinho

Seco.
Eu seco,

Sem DÓ.

Pra MIm, nem precisa ir ,

Basta sair o sol.
que a tristeza da
Mel.o.dia em SÍ.
tu com eu

no teu sofá.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Laços & Percepções

Como estão nossos fios? Como estão nossos laços? Somos realmente capazes de perceber, e evitar, os efeitos que uma força externa tem sobre nossas ligações, ou apenas esperamos seus resultados para não termos que assumir a total responsabilidade pelo distanciamento daqueles que nos eram agradáveis e caros?
'O destino escolhe quem encontramos na vida. As atitudes definem quem fica.' Perfeita, não?
Mas quem, ao ler essa frase, pensa que as definitivas atitudes podem ser suas próprias e não apenas as do outro? E vice-versa...

domingo, 27 de junho de 2010

NOTA OFICIAL

Restabelecer o diploma é valorizar o Jornalismo e os jornalistas

No dia 17 de junho os jornalistas e a sociedade brasileira registrarão um aniversário indigesto. Há um ano, o Supremo Tribunal Federal derrubou, por maioria, a exigência do diploma em curso superior de Jornalismo como requisito para o exercício da profissão. Protestos em todo o país marcam a data, expressando o desejo de que o Congresso Nacional repare este equívoco cometido pela corte máxima do Judiciário brasileiro, restabelecendo a exigência do diploma como elemento fundamental para assegurar à sociedade o direito à informação de qualidade e às liberdades de imprensa e de expressão.

Ao dar guarida aos argumentos de entidades patronais de comunicação, o STF desobstruiu ainda mais o caminho para o grande empresariado do setor prosseguir precarizando as relações de trabalho, em nome de uma liberdade de imprensa e de expressão que os barões da mídia só defendem quando lhes interessa.

Práticas de censura e cerceamento à livre circulação de informações e ideias são corriqueiras nos grandes veículos quando afetam os interesses econômicos e políticos dos donos da mídia. Se os ministros do STF desconhecem tal realidade, reforçam o dito popular de que “a Justiça é cega, mas enxerga quando quer”.

Não há porque impedir a definição de requisitos para o exercício qualificado e ético da profissão de Jornalista. Mas faz-se necessário, hoje, inserir na legislação brasileira dispositivos para que isto fique ainda mais claro. Assim se evitará que os que enxergam a informação como mercadoria e exploram os trabalhadores prossigam utilizando as liberdades de imprensa e de expressão como mantos para encobrirem seus verdadeiros interesses. Este é o objetivo das Propostas de Emenda Constitucional apresentadas na Câmara dos Deputados pelo deputado federal Paulo Pimenta (PT/RS), e no Senado da República pelo senador Antônio Carlos Valadares (PSB/SE).

O movimento pela aprovação das PECs ganha cada vez mais força, com o apoio de parlamentares e membros do Executivo federais, estaduais, municipais, instituições de ensino e entidades representantivas da sociedade civil.

Neste momento, as atenções se concentram no pleito à Comissão Especial que analisa a PEC 386/09 para que diga SIM AO DIPLOMA! A grande mobilização que jornalistas, professores e estudantes protagonizam a nível nacional se fará presente no dia 17 de junho nas ruas do país e prosseguirá até a vitória!

Brasília, 15 de junho de 2010.
Diretoria da FENAJ - Federação Nacional dos Jornalistas

sábado, 26 de junho de 2010

Ele

... era um encanto.

No entanto, envergonhou-se do "en", tanto,
Que terminou (o) em canto.

Viviane Mosé¹

Acho que a vida anda passando a mão em mim...
acho que a vida anda passando, acho que a vida anda.
A vida anda em mim! [...]

¹Viviane Mosé. Poeta, psicóloga e psicanalista, mestre e doutora em filosofia. Escreveu e apresentou, em 2005 e 2006, o quadro Ser ou não ser, no Fantástico, onde trazia temas de filosofia para uma linguagem cotidiana. www.vivianemose.com.br

quinta-feira, 24 de junho de 2010

O Teatro Mágico

[...]
Meninas são bruxas e fadas,
Palhaço é um homem todo pintado de piadas!
Céu azul é o telhado do mundo inteiro,
Sonho é uma coisa que fica dentro do meu travesseiro!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Carlos Drummond de Andrade¹

"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade."

¹poeta, contista e cronista brasileiro.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Imagino o que não vivo

Espero o sono vir e, enquanto isso, fico com a imaginação!
Imagino o que não vivo. Afinal, viver é causa e consequência,
Soa até como imposição.
Imaginar é graça, é certo desequilíbrio, é encanto, é espanto.
Abrigo.
Hibridismo, Personificação!

No mundo da minha imaginação,
a fotografia é épica e eu edito as cenas para compor a ação.
As cores me escolhem, os vestidos eu desenho, as trilhas chegam por meio de cartas
e os juízos se escondem na transparência de bolhas de sabão.

Têm árvores enormes pelo caminho,
melancia com gosto de limão.
Tem um violão que dedilha suas cordas sozinho
Tem um castelo em forma de taça de vinho
Tem sexo que deseja ser um dia carinho
Tem aroma de laranja e de uva, tem Cazuza,
Tem barco de papel que aspira ser balão.

Há uma tarde que se abraça com uma montanha
Há também um balanço branco no alto de uma colina.
Há cristais macios na minha retina
Há sorrisos na minha audição
Há um lobo que dança com uma luva,
que pensa poder, um dia,
Guardar a chuva.

E tem chuva!!!!!
que não cai de uma nuvem, mas de um pé de algodão.
Tem comida japonesa, portuguesa, sobre(a)mesa
Tem magos que andam à cavalo,
Não existe etinerário
tem palhaço, tem espaço, tem amasso,
Tem paladar de sinceridade, sem tato pra solidão.

No meu mundo da imaginação
Há livros por todos os cantos. Muitos roteiros e contos
Notas musicais... instrumentos

Vinicius de Moraes, Gabriel García Márquez, Milton Nascimento
"aquilo que dá no coração" ¹
Sentimento .

Há um alfabeto que possui raiz... Enriquece plantação
e frases que navegam por águas claras a todo o momento.
Há eficácia e eficiência. Equipamento
sem colisão.

Tem um pé de pêssego que quer ser um moinho de vento
Tem talento, muito talento
e no fim do infinito uma televisão.

[Me viro e sinto o colchão]...

Então, o pólo das imagens faz a imaginação adormecer
O sonho do agora é a realidade do amanhecer.

¹ Titulo de uma composição de Lenine. Aquilo que dá no coração.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Martha Medeiros

Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.

"Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho".


sábado, 12 de junho de 2010

Rubens Alves, Olhos do Luar

"....A alma é uma coleção de belos quadros adormecidos, os seus rostos envolvidos pela sombra. Sua beleza é triste e nostálgica porque, sendo moradores da alma, sonhos, eles não existem do lado de fora. Vez por outra, entretanto, defrontamo-nos com um rosto (ou será apenas uma voz, ou uma maneira de olhar, ou um jeito da mão...) que, sem razões, faz a bela cena acordar. E somos possuídos pela certeza de que este rosto que os olhos contemplam é o mesmo que, no quadro, está escondido pela sombra. O corpo estremece. Está apaixonado.
Acontece, entretanto, que não esxiste coisa alguma que seja do tamanho do nosso amor. A nossa fome de beleza é grande demais.(...)Cedo ou tarde descobrirá que o rosto não é aquele. E a bela cena retornará à sua condição de sonho impossível da alma. E só restará a ela alimentar-se da nostalgia que rosto algum poderá satisfazer...!"

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Foi no mês que vem, Vitor Ramil

Vou te vi
Ali deserta de qualquer alguém
Penso, logo irei
Que seja antes minha que de outrem
Quando o vento fez do teu vestido
Um dom que Deus te deu
Claro que eu rirei
Ao vendo o que outro alguém não viu

E tudo isso
Foi no mês que vem
Foi quando eu chegar
Foi na hora em que eu te vi

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Misturas

Ele sempre exercia duas vidas ao mesmo tempo. Uma aqui, mas na outra ela não entrava. Com lágrimas nos olhos dizia que a amava mais do que qualquer coisa. Porém, ela não sabia ao certo... e dia após dia era ainda mais difícil entender sua doente letra.
O amor deles foi uma casinha na árvore. Pulavam os mais deliciosos frutos para roubar os mais diferentes muros. Assim como as antigas fotos a mistura dos dois era uma locução sincera. O som dele era um barulho de chuva. O cheiro dela era aroma de madeira.
À noite bebiam todo o escuro por engano. Ela sempre pedia para dormirem de pés dados e ele nunca reclamara. Ele gostava mesmo era de sentir o batimento dos dedos colados. Dizia que parecia toques de violão.
Mas ele amava vícios e outras armas. Já ela amava livros e comia ficções sem a mesa preparada. Ele era o vinho no inverno e ela jamais beijava sem morder. Ambos tinham uma feroz raça e nos dentes uma doce malícia. Ele sempre pedia a ela que parasse de escrever e dedicasse maior atenção. Ela era o texto que ele não conseguia decorar. Ela era artigos da Constituição.
Nunca apreciou cigarros. Porém ele...Os consumia. Na ausência, a fumaça de um diminuía a solidão dela.
...
Passou-se um tempo e o relógio escorreu ponteiros ...de horas ruins!
...
Ela passou a dormir menos tranquila e ele passou a acordar sem dormir. A teimosia dele que a princípio, ela sempre achara que fosse charme e um toque de ousadia, causou nela vertigem de ira e provocação.
O casamento virou uma casa destelhada. Fidelidade? As escovas de dentes não tinham a mesma aproximação. No entanto, ele se desculpava para fazer de novo. Segundo um ditado, o excesso de doçura também apodrece os frutos,
E ela foi adquirindo maldades alheias.
A perda foi o sangue que ela ofereceu para ele beber sem taça.

Até hoje me culpo por nada ter feito naqueles momentos. E até hoje ele chora pedindo o canto vazio da cama dela.
“Penso ter vivido o que escrevi e deixo de viver o que está escrito” [Fabrício Carpinejar].
As cartas de amor que ganhei... hoje adormecem sobre a minha camisola, embaixo de um colorido travesseiro. Foram escritas com uma pena, selados com uma língua e rasgadas com algumas bocas de poemas.

Acordo! Seguro o café e aos poucos vou bebendo a xícara.
Nessa mistura, [eu sei].. Jamais terei paz no corpo dele!

terça-feira, 8 de junho de 2010

Dica

Se for pra se distrair, que não seja
con.traste

domingo, 6 de junho de 2010

Coisas são

É o segundo,
mais tarde o próximo, e o seguinte.
É o que passou,

despercebido e o que se foi,
Rapidamente.

O vidro do carro mostra o que ficou, o que partiu
O que está agora,

no pensamento uma mesmice das horas,
de trânsito lento.

O vidro do carro, reflete os olhos
com lembranças distraídas.
Mostra as ruas que me escolheram, calçadas e avenidas
Deixa visível, se vou pra frente
Omite as coisas, que ficam para trás
Só que a gente nunca sabe,
que coisas são essas.

sábado, 5 de junho de 2010

Leoni, Fotografia

Quando a tarde toma a gente nos braços
Sopra um vento que dissolve o cansaço
É o avesso do esforço que eu faço
Pra ser feliz
O que vai ficar na fotografia
São os laços invisíveis que havia
As cores, figuras, motivos
O sol passando sobre os amigos
Histórias, bebidas, sorrisos


sexta-feira, 4 de junho de 2010

Leoni e Rodrigo Maranhão

Eu tô falando de amor, E não da sua doença, Eu tô falando amor!

http://www.youtube.com/watch?v=x7wUYrOSU3Q

Composição linda!

Balzac

"Era mulher, com seus medos repentinos, seus caprichos sem razão, suas perturbações instintivas, suas audácias sem causa, suas bravatas e sua deliciosa finura de sentimentos".
Trecho retirado de :
BARTHES, Roland. O Rumor da língua - editora -Brasiliense 1988.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Deus


Dê olhos e ouvidos
e assim vou conquistando tudo ao longo do dia



.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Pesquisa Crônicas Josué Guimarães

CANAL DE NOTÍCIAS - UPF TV
Jornalismo diário a serviço da sua cidadania.
Canal 4 da TV aberta - 15 da NET

Horários de Exibição:
12h 30min às 13h e das 19h 30min às 20h

O Canal de Notícias está apresentando uma série de reportagens com as pesquisas feitas por professores e alunos da Universidade de Passo Fundo. A pesquisa da reportagem de hoje leva você ao trabalho realizado pelo curso de Letras. Conheça um pouco mais sobre um jornalista e escritor que tem uma ligação muito especial com Passo Fundo.

Lenine & Roberta Sá


O nosso jogo é perigoso menina, nós somos fogo, nós somos fogo,

Nós somos fogo e gasolina.

Esqueço...

brinco, pulseira, anel, colar
[com todos, em todo o lugar]

Não me importo e sinceramente não é proposital.
São esquecimentos involuntários
Devolução? Não volto para buscar. Não exigo, não preciso.

Esqueço porque não há um apego maior ou motivo de preocupação
São peças minhas, que não sou eu
Nunca fui acessório.
E não esqueço para ser "achada", para ser lembrada ou mesmo para retornar.

brinco, pulseira, anel, colar
e o que poucos entendem é que isso tudo - mundo mudo...
Não substitui perfume, não dá nome, não esquenta o olhar
Não se comunica, não enriquece e menos ainda intensifica.
Então pra que se orgulhar!

Esquecer pra mim faz parte de uma mágoa,
bem mais antiga.

João Guimarães Rosa,

'O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente
é coragem.'


segunda-feira, 31 de maio de 2010

E o sentido disso?

Absolutismo
[nosso]
.

Canal de Notícias - UPF TV

Jornalismo diário
Canal 4 da TV aberta - 15 da NET

Horários de Exibição:
12h 30min às 13h e das 19h 30min às 20h

Sensibilidade e técnica são algumas das características que compõem a exposição: figurino, maquiagem e adereço, uma prática artística que conta a dedicação dos estudantes do curso de tecnologia em produção cênica da UPF.

sábado, 29 de maio de 2010

Sentimentos, de brincar.

N pessoas passando, se aproximando. Algumas conquistando, dedilhando... seduzindo poucas e no final, é sempre a mesma música trilhando o envolvimento. São as mesmas cicatrizes ferindo o roteiro.
Dá pra trocar de música? Seria bom modificar esse arranjo!
[e entender que o passado ajuda a purificar].
É como cheiro de cigarro, sabe!... Suportável, mas não por muito tempo.
Normal, também tenho tentações... só que perdi o apego.
Roubaram de mim.
Andei buscando em uns e em outros. Busca incessante que não traz satisfação plena... Pelo contrário, provoca invasão [eu invadindo o outro, não me responsabilizando nunca]. Pulando fora.
[Sentimentos, de brincar].
Sério, não quero mais isso ... é maldade!
Atitudes e umas doses de álcool facilitam o romance-ficção. Teatralizar a realidade dá trabalho, agonia. Diferentes cenários e aquele mesmo personagem. É sempre bom mudar o repertório, modificar o jeitinho, impulsionar um carinho incomum.
E é sempre a mesma música e me vem aquele cheiro de cigarro...
Suportável, mas não por muito tempo.
Hein baby, dá pra trocar de música? [e me levar pra casa?!]

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Quem tem um sono não cansa. Cazuza

Mas, o que afinal elas querem?!

Esses dias passei a pensar sobre os relacionamentos...
Pois bem, existem aqueles que te levam para um mundo exótico, provocante..
E aqueles que não te trazem nada de novo.
Uns que matam o teu momento de carência e uns que te matam de saudade. Têm aqueles que se apaixonam por você, que enlouquecem o teu celular, que tumultuam o teu prédio, que pedem referências até para o porteiro..
E tem aqueles que não estão nem aí.
Aqueles que trazem um monte de questionamentos e te deixam cheia de respostas.. Aqueles que chegam sem perguntas e surpreendem. Outros que chegam cheio de dores e despertam intimidação. Outros que precisam de ouvidos, carinho e muita atenção para seguir em frente. Tem aqueles que dividem o dia a dia, os finais de semana, o sábado e o domingo com você. Tem aqueles que dividem as alegrias, as tristezas e horas cheias apenas pra te ver.
Tem-se um pouco de todos: imperialistas, contadores histórias, conservadores, intelectuais, mimados, independentes, poetas, os palhaços, tem os canalhas, os amigos... e aqueles que te levam a um lugar diferente... porque são diferentes!
Aqueles que você vê uma vez por mês e é o suficiente,
Aqueles que você quer ver todo o dia [...]

Mas o mais energizante, desafiador e significativo de uma relação..
não é o relacionamento com o outro, e sim...
a relação que você tem consigo mesma.
Se encontrar alguém que ame o que você ama, isso com certeza será maravilhoso.

=========================================================
O amor é um pouco de nós, misturado com um pouco de alguém.
[autor desconhecido]

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Gabriel García Márquez escreveu:

"Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir ás minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio".
* Trecho de Memória de Minhas Putas Tristes.

domingo, 23 de maio de 2010

"Fiz tudo certo,

só errei quando coloquei sentimento".
Clarice Lispector.

sábado, 22 de maio de 2010

Projeto Experimental Jornalismo UPF

Programa USINA - UPF TV
Apresentação: Jean Marmentini
Canal 4 TV Aberta / 15 NET

Exibição:
sexta às 20h

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Abraço

dias lindos, mesmo quietinhos.

'Juntando' Caio Fernando Abreu

"Fico vivendo uma vida toda pra dentro, lendo, escrevendo, ouvindo música o tempo todo. Penso: quando você não tem amor, você ainda tem as estradas. Seria tão bom se pudéssemos nos relacionar sem que nenhum dos dois esperasse absolutamente nada, mas infelizmente nós, a gente, as pessoas, têm, temos - emoções. Acontece porém que não tinha preparo algum para dar nome às emoções, nem mesmo para entendê-las."

Relacionamento...

es.finge segredo.

p.s: referência ao conto de Oscar Wilde - A Esfinge sem Segredo. Uma água-forte.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Carpinejar

Alegria, sozinho, é uma tristeza. Tristeza, acompanhado, é uma alegria. Raro mesmo é usar a franqueza para falar coisas bonitas.

Gramática atual

O dia foi pretérito imperfeito,
mas acabou.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Para Carlos Drummond de Andrade...

"Amor começa tarde". No entanto, ele mesmo, em outra oportunidade, retifica: "Amor não começa tarde, amor se apura com o tempo, essa é a verdade. Porque quem não amou na mocidade ou não amou desde a infância, não merece ser amado na madureza".

Consolo na Praia

Vamos, não chores.
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.

O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
[...]

domingo, 16 de maio de 2010

O ouro e a poeira dos sonhos

Fiódor Dostoiévski: mas não são senão sonhos de ouro!
[Interfiro]: que se vêm e se vão com a poeira dos dias...

Técnicas de Entrevista

Foco de vida...
E o que é amor para você?
E o que significa tentativa?

sábado, 15 de maio de 2010

Fantasias

Vejo-me em uma tarde cinzenta encobrindo a pele com o pó da noite que vem. Pó que permite ao meu corpo a textura aveludada, a certa, a capaz de plastificar as expressões do desequilíbrio, dos olhos, daquele porém.
No retoque final me anestesia. Faz-me adormecer em tom e em aroma, suavidade quente de um vinho tinto.
Nas antigas produções eu era mais confiante e concentrada. Mas o orgulho me fez perder um vasto tempo. Acontece, como tudo na vida... Aconteceu, portanto!
Antecipo o inverno e congelo as paixões. Todas. Desligo o celular porque quero paz
- pela manhã, pela tarde e pela noite...
Esfriou, Esfriei, Esfriaram.
Perto do pó, visualizo uma taça líquida com o conteúdo sólido de paz com amor. [A tonalidade é inexplicável, picante em sua inocência]. O cheiro é forte, sensual sem perder o ar delicado.
Por fim acabo é tendo muito trabalho, muito. Há uma escura distância entre o líquido e o sólido. E ela vem de repente...
Pode ser fantasia da minha realidade, mas não deixo de perseguir por inteira, a verdade.
Meu Deus, se soubesse, o quanto a vida me dói de vez em quando!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Acompanhe no programa "Encontros" - UPF TV

Apresentadora: Taís Rizzotto
Edição: Afani Baruffi

UPF TV - Canal 4 da TV aberta ou 15 pela NET

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Caio Fernando Abreu

"...depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro".

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Febre


A luxúria do nosso tempo desconhece o outro!
Só confere valor à excecução plena do desejo. E o desejo quer porque quer...
Para Freud, os desejos são pulsões que nos movem em busca da satisfação.
Através da história, a luxúria foi um vício ferozmente perseguido mediante pesados castigos registados nas passagens bíblicas. No poema "A Divina Comédia" de Dante Alighieri, o personagem reflete sobre "as ilusões do amor e os desejos loucos" que levam as almas a descrição de um castigo. E atualmente, o que resta de pecado nisso?
O relacionamento breve promove a ilusão de um encontro perfumado de aparências - um "curtir" - comportamento que busca acalmar a angústia através de um prazer máximo. Diante da provocação , das expectativas e das incertezas de não saber o que vem pelo caminho, a exposição promete, falsamente, encurtar a angústia desse contato. A inicial distância, ainda que pequena, parece insuportavelmente grande. Estar com alguém pode adquirir os contornos de uma certa necessidade, de um tormento, no qual as frágeis fronteiras de cada um se rendem facilmente quando os olhos se fecham e os carinhos se anunciam. Aí então a satisfação pode virar um jogo de sentido e aproximação quando for cômoda ou conveniente.
Se o comportamente do desejo tenta eliminar o mal-estar da intimidade com o outro, através da exposição, a intimidade significa mais que tomar certas liberdades. Entender o íntimo e o singular nos permite desejar não um corpo qualquer, mas um corpo específico.
Na relação com nosso próprios desejos e com o que fazemos deles é importante estabelecermos o grau de intimidade e de pecado, porque afinal, ninguém é de ferro.

Toda essa intensidade é uma espécie de febre ... que procura uma identidade.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Duração


Os sentimentos não precisam de motivo
e nem os desejos de razão