Confio


Dos jornalistas que se aventuram na literatura exige-se que levem uma vida dupla,
isto é, que usem duas canetas,
uma para os romances, contos e poemas,
outra para as notícias e reportagens."

José de Broucker - jornalista francês


Confio um brinde a simplicidade!
Para que seja sempre
a melhor atitude de sofisticação.


quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O homem, e as águas de (teus) rios

Teve dias que perguntara para si ...se existia, mesmo!
Estado de êxtase,
[Supremacia]
Houve datas contrárias aquelas em que, com os dedos,
apertava, arranhava, sentia a pele e percebia que possuía sinais de vida.
[Democracia]
Aconteceu que aquele homem acabara perdendo um pouco do sentido...
ou seria melhor dizer... ganhado alguma noção?!
[Desculpe-me, infelizmente, não conseguirei lhe contar com oniscência essa ocasião interior].

Ao invés de narcóticos foi se aliviar nas estradas de chão.
Viajou além da quantidade limite que a gasolina, que movia o carro no momento, permitiria. Desceu o vidro, deixou-se empoeirar com o pólen das plantações.
No retrovisor... quanta fotografia perdida, quantas paisagens retalhadas... vastidão que desprende a retina...
(a)prendeu o homem que acreditava ter ... uma feroz alma masculina.

Desceu do carro e sentiu, com os pés descalços, a terra vermelha do chão. Pulsação.
Caminhou, machucou a pele delicada ... e encontrou águas de outros rios.
[riso].
A beira daquele pequeno mar da natureza, nem tanta beleza...
acima estava a devastação, abaixo o que desconheço.
Mesmo assim, deixou-se conduzir por seu momento e (só), a solidão! Sensação que não se traduziu no fato de viver sozinho. A solidão, na verdade, indicava sim, a tal incapacidade de fazer companhia a alguém ou a alguma coisa que estava dentro de si....
Nem tão doce, nem tão profano. Tinha sim um tal gosto pelo poder... era humano! Aspirava acontecer, dissolver, transmitir conhecimento. Não tinha pressa, mas porque haveria de perder tempo? Um lápis precisa de ponta para exercer sua função. Ferir o papel.
Incerdiar qualquer amor de perdição.
Interfiro nessa história e coloco um trecho de Fernando Pessoa em algum canção:
Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlaçemos as mãos).
Volto ao homem, ao seu momento de (in)consciência e ao círculo ocular da composição. Nesse relato, ele permanece sentado, a beira das águas de (teus) tantos rios, querendo compreender o amplo contexto...
[pretexto]
40 anos e tanta ingenuidade...
[ na vida, compreensão é insanidade].

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