Confio


Dos jornalistas que se aventuram na literatura exige-se que levem uma vida dupla,
isto é, que usem duas canetas,
uma para os romances, contos e poemas,
outra para as notícias e reportagens."

José de Broucker - jornalista francês


Confio um brinde a simplicidade!
Para que seja sempre
a melhor atitude de sofisticação.


sábado, 22 de janeiro de 2011

Dos arrependimentos

A lucidez que sempre mantive por tolice,
Por timidez o que sofrer não pude,
E por pudor os versos que não disse!

Alcoolizados para contar

"O que eu quero contar é tão delicado quanto a própria vida": A gente é feito pra dizer. Ao meu lado, amigos para ter ou perder juízo. Do meu lado, quem tiver intuição para entender o discurso de um olhar, para uma esquina esquecida, dobrar. Aliás, para beber com fidelidade é preciso recolher alguns versos perdidos, é preciso abraçar disperso e com o silêncio da fala, embriagar. A vida é pra ser lida, ser bebida, ao lado de quem escolhemos estar. Contar e viver muitas histórias, eis o sentido.

Das Observações

Observação contrária do dia:
O sol tão escuro lá fora, o sol tão escuro, parecendo, ametista.
E minha alma em sol amanhecendo, guarda-chuva de artista.

Registro

E acabo buscando no olhar que não entendo - alguma força. No conteúdo dos copos que serão bebidos pelos amigos - algum juízo. Nos registros dos sons que serão produzidos por orifícios - alguma composição já feita. E quem disse que é fácil ser e traduzir-se humano? Difícil já é saber que visão conduz um par de olhos, que dirá alcançar a transparência de um coração! Mas a gente tenta. Cansa ou não, tentando! E desejando entender...

Destino em Jogo

"O destino embaralha as cartas, mas somos nós que jogamos". Então, nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar.

Jornalismo

"Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade. Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode... sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte."
Gabriel García Márquez

Paraíso

É logo ali, o gosto bom e a tal ameaça, a maça do mundo.
Onde a mordida do sentido se estilhaça
Onde a vida se recorta em diurno e noturno.
E a pele nem mais sente a perspicácia. É logo ali...
[no toque]