Confio


Dos jornalistas que se aventuram na literatura exige-se que levem uma vida dupla,
isto é, que usem duas canetas,
uma para os romances, contos e poemas,
outra para as notícias e reportagens."

José de Broucker - jornalista francês


Confio um brinde a simplicidade!
Para que seja sempre
a melhor atitude de sofisticação.


terça-feira, 30 de novembro de 2010

Nós, Três, e a Sorte

E a conversa foi tão intimamente pessoal...
Que desorganizou a minha percepção do asfalto,
Deixe-me conduzir para aperfeiçoar as conexões! Alienar as confusões...
Nem o velocímetro observei. [Mergulhei nos experimentos]
[naquele dia não estava me sentido responsável, um dedo de desrepeito..
e um tanto quanto desleal, por merecimento]
Sexta-feira e o destino era bem perto.
Enquanto à noite quente apimentava os movimentos,
nós éramos três a comer vivos, alguns fragmentos.
Era como se pintássemos a tinta.. muitos sentidos
[em desenho: alguns sofrimentos].
Três opiniões formadas, ao menos para aquele instante de sorte.
Seres humanos que a natureza produziu... repassando a escrita dos erros ou mesmo as tentativas daquilo que julgamos serem grandes acertos [ o passado, passado, em depoimentos].
Sabe, a conversa foi tão boa, fez-me perder as paisagens
que ligeiramente procuravam meu abraçar.
[Gosto tanto dos abraços...]
Carinho ousado.. (uns) poucos sabem aproveitar!
Mulher. Homem. Saudade.
Ao contrário de sempre, desta vez preferi escutar, e foi aí que um comentário me reteu:
- [na sua grande maioria] Nós, homens... falamos coisas bonitas, prometemos o mundo, cheiramos com amor o pescoço de vocês.[tudo pelo ato final do prazer]. Agora, quer saber quando realmente há um interesse maior do que propriamente sexo?! Avaliem se depois do orgasmo ele procura a tua presença, te trata com carinho, te beija com cuidado.. te mostra para os amigos, brinca contigo...quer saber da tua vida, mesmo em soneto casual! Porque eu, quando não há conquista, depois que o trabalho está bem (sastis)feito [com todo o respeito]...
desejo é sumir do lugar. Mulher tem que se valorizar. Tem que fazer-se admirar!!! Quando você cresce em admiração, cresce em importância e não somente em sexo, em corpo, em desejo. No homem, além do que naturalmente cresce, haha, expande também o observar. Dispam-se, também de talento!
[me deixei por risos, afinal, eu conhecia a capacidade, a integridade do meu parceiro, editor de comunicação]. Era verdadeiro, tinha família, falava com verdade. Houve a troca de assunto e interceptei, com batom e realidade.
- Saudade é que é uma delícia, dificuldade e aí sim alguma conquista. Li em algum olhar que sentir saudade é sentir fome. Saudade é a fome que se mata apenas quando se come.
Fomos no momento poucos, [de intensas quilômetragens]
O som cantava Cartola, "Fita Meus Olhos",
Fita os meus olhos/ Vê como eles falam/ Vê como reparam o seu proceder/ Não é preciso dizer deve compreender/ Num olhar o que eu quero dizer.
De um atraso na saída, para um quebra de sigilo na chegada.
[chave e fechadura] caro leitor,
tratamos de assuntos que minha escrita não é capaz de suportar.
Eu clamo por Sorte,
por um asfalto que soube nos embriagar.
"Sorte é o encontro da oportunidade com a capacidade".
(Ernest Hemingway in "O Velho e o Mar")

domingo, 21 de novembro de 2010

Pauta Simples

Era um final de entardecer...
que a noite tomara nos braços .
Um violão de cordas a arder...
no pulso o carinho do espaço.

Mais que arranhar os anos vividos
Coca-cola, cerveja, prazer.
O bom futuro é percorrer família e amigos...
Com fotografia e imagem, escrever.

Um trovão pode estremecer vidraças,
Mas na mão do poeta,
o amor é a lei.
Para castelo de príncipe,
Princesa ameaça:
rainha, rato e dignidade de rei.

No entanto, só a letra sincera,
na boca de quem um brinde pondera...
é tiro em discurso

que estilhaça.

Baby, Baby,
hey
Sei e não sei

Se existe corte real

E algum título imortal,
Pra pagar o preço por todo esse encanto...
um canto..

Simplicidade é a sofisticação que quero

“faz serenata”
“farra no telhado”
Olho de gata,

lero lero

Meu bem, hey
a pauta é simples
Escrita para viver

Baby baby
Sei e não sei
Que o off da vida, escreve
E ensina ... escrever.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O homem, e as águas de (teus) rios

Teve dias que perguntara para si ...se existia, mesmo!
Estado de êxtase,
[Supremacia]
Houve datas contrárias aquelas em que, com os dedos,
apertava, arranhava, sentia a pele e percebia que possuía sinais de vida.
[Democracia]
Aconteceu que aquele homem acabara perdendo um pouco do sentido...
ou seria melhor dizer... ganhado alguma noção?!
[Desculpe-me, infelizmente, não conseguirei lhe contar com oniscência essa ocasião interior].

Ao invés de narcóticos foi se aliviar nas estradas de chão.
Viajou além da quantidade limite que a gasolina, que movia o carro no momento, permitiria. Desceu o vidro, deixou-se empoeirar com o pólen das plantações.
No retrovisor... quanta fotografia perdida, quantas paisagens retalhadas... vastidão que desprende a retina...
(a)prendeu o homem que acreditava ter ... uma feroz alma masculina.

Desceu do carro e sentiu, com os pés descalços, a terra vermelha do chão. Pulsação.
Caminhou, machucou a pele delicada ... e encontrou águas de outros rios.
[riso].
A beira daquele pequeno mar da natureza, nem tanta beleza...
acima estava a devastação, abaixo o que desconheço.
Mesmo assim, deixou-se conduzir por seu momento e (só), a solidão! Sensação que não se traduziu no fato de viver sozinho. A solidão, na verdade, indicava sim, a tal incapacidade de fazer companhia a alguém ou a alguma coisa que estava dentro de si....
Nem tão doce, nem tão profano. Tinha sim um tal gosto pelo poder... era humano! Aspirava acontecer, dissolver, transmitir conhecimento. Não tinha pressa, mas porque haveria de perder tempo? Um lápis precisa de ponta para exercer sua função. Ferir o papel.
Incerdiar qualquer amor de perdição.
Interfiro nessa história e coloco um trecho de Fernando Pessoa em algum canção:
Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlaçemos as mãos).
Volto ao homem, ao seu momento de (in)consciência e ao círculo ocular da composição. Nesse relato, ele permanece sentado, a beira das águas de (teus) tantos rios, querendo compreender o amplo contexto...
[pretexto]
40 anos e tanta ingenuidade...
[ na vida, compreensão é insanidade].