Confio


Dos jornalistas que se aventuram na literatura exige-se que levem uma vida dupla,
isto é, que usem duas canetas,
uma para os romances, contos e poemas,
outra para as notícias e reportagens."

José de Broucker - jornalista francês


Confio um brinde a simplicidade!
Para que seja sempre
a melhor atitude de sofisticação.


domingo, 19 de dezembro de 2010

"Óleos" de Lorenzo

Não estávamos na Colômbia e nem em Londres...
Moscou e tanto quanto no Canadá. Alguns apontariam Portugal, Roma ou Bogotá.
Mas não, diante do local que nos encontrávamos, somente ares de cais portuário. Calor bonito de velas, arquitetura confortável, decorações finas, barulho sonoro de água do mar. Na parede e na gastronomia o finesee do Brasil Imperial e guardanapos que marquei com meu batom
[e alguma moral].
A minha ice bateu com a tua...
com a tua cerveja, de marca comum. E tu, firme a me olhar de azul.
Mas no momento eu tinha sede e nenhuma pretensão. Jamais escondi minha preferência por destilados. O gosto do álcool, muitas vezes processado, na garganta. E no tempo de me acomodar, depois de um evento protocolar, foi que senti tua voz no meu ouvido se aproximando e elogiando a agradável sonoridade da fala, da postura, da condução segura, do contorno da minha boca, [sem qualquer timidez]. Proferi que nada tímido era usted e agradeci com jeito, afinal, eu não poderia suspeitar qualquer escolha tua, que fosse. Nada conhecia, a não ser os suspiros visíveis que arrancastes das convidadas da noite. Das muitas que se preendiam naquele jeito secular.
Teu olho se confundiu com a minha blusa e minha roupa se perdeu no blue do teu olhar. Se é que consigo executar alguma explicação: descrevi pra mim um azul picante, de rivalidade, de dois times riograndenses, [círculo tático]. Charme, charme e aroma amadeirado, conquistador e acima de tudo elegante.
Não tocastes nenhum instrumento naquela noite. Preferiu tocar minha pele sem permissão, mas com educação. Teria vários discursos pra ativar na minha nuca, mas optou por me impressionar ao me olhar com a boca e indiscretamente me investigar. Jornalismo Investigativo sem formação, fascinando-me aos poucos. Senti o toque do perigo, do enfrentamento, de toda a atitude masculina [do teu gravador ocular].
Bebias e me procurava. Pois, desafiou-me e eu, por horas, concentrada resisti, arrependida ou assustada [não sei dizer]. Segundo a segundo se aproximavas. Parecia se sentir apto para ler meu destino, interpretar meu off.
Até que me apresentastes a família antes mesmo de me dizer o próprio nome. Não esperava menos quando entregastes a identidade. Letra forte, que combinava com os teus olhos, ["óleos" de[...] Não ganhou minha confiança, mas nossa conversa foi histórica. Um intercâmbio cultural sem que precissssemos nos movimentar dali. Tinhas um cargo importante e por meio de fontes, [descobri]!
Fui me afundando naquele olhar de mar, digno das profundezas, protegido durante anos por deuses até ganhar, com o certo tempo, um corpo humano para vislumbrar e cativar.
Olhos celestiais e pouco inocentes... Machado descreveu os de Capitu, mas jamais conseguiria descrever os teus olhos, se vivo estivesse e se mulher fosse.
Acordei, no outro dia...
com a tua ligação de brincadeira,
com os teus "óleos" azuis, piscando os verdes meus.
"Saiba compreender a direção do teu olhar! Reinado."

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Agenda, aí

Qualquer dia, sim

[e aqui o talvez...não terá sua vez e fim] vou poetizar meu profissionalismo,

até lá tão mais maduro, para um reconhecimento sócio-cultural.

A vida em fios de ouro [como gosto, de profetizar]. Manterei a conduta humilde

e o perfume simpático e vou colorir a moldura. Vou investir na nossa gente

[discrente e demente] de embocadura, E em você,

que se fará rir e chorar sobre a poeira que te interrogará:

"por que não te permitiu lê-la, fielmente?!"

[Um dia fora livro, agora tornou-se história, cobra d´água]

[vertente].

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Como, um segredo

"E quando ali retornarmos. Verás que nunca nos fomos. Pois o lugar onde estamos
O lugar onde estaremos. É sempre o lugar que somos."
Tirou a roupa, e assim mesmo continuava sentindo o corpo apertado.
Tomou um banho. Deixo-se aliviar com a água, [higienizar os sentimentos].
Persistente nas decisões, no signo da personalidade e por dentro...
[incêndio de vontade, de medos, de horas e de atitudes incertas]. Indecisões...
Não saberia lhe dizer se antes de deitar optou por água, cerveja, uísque ou um vinho qualquer....
Já te falaram, caro leitor, que quando escolhemos os atos... escolhemos para sempre, e sempre?! [ se eles não duram para o resto da vida, bem... ao menos marcam eternamente].
Pois, também sinto um toque de pavor em não poder fotografar em grande angular, [com a precisão da observação] se antes de deitar ele pensou em dar mais uma chance a familia do futuro, aos sonhos, as promessas de um novo ano...[a dor e ao amor, a realidade].
Ninguém vive a inteira vida sozinho leitor, ninguém.
Há bares atrás, esteve diante de um copo com bebida alcoolica, e direito, mal podia beber. Estava lateralmente coagido por dois pares de olhos e não conseguia permancer neles, se não por alguns intantes. [Incômodo], era o que carregava física e interiormente.
Trazia no bolso os versos que ela escreveu para seus olhos. Quanto tempo.. quantos anos tinham? Ela quatorze, e ele quinze, e isso se deu em 1888.
O grafite da poesia falava em olhos verdes, e outro momento, quando o leu pela primeira vez, acreditou que fossem os seus próprios olhos. Engraçado, mas os olhos dele não chegavam a ser verdes, tinham mais a cor da folha quase seca do limão ou talvez o amarelo tenro das areia das praias de Laguna, revolvido pelas mudanças da lua, do vento frenético... que gingava os pesqueiros ao mar.
A voz do som ambiente não agradava completamente, mas a primeira música, em letra, pedia paciência [para essa vida que não para, que é tão rara, que acelera e pede pressa].
Chegou pensar que os versos, aos olhos verdes, não foram escritos para ele, porque afinal, seus olhos não tinham a cor descrita. Sabia em conhecimento que, embora ela escolhera se apaixonar por dezenas de homens e meninos, mesmo assim... voltaria a se perder em pele e perdição como nalguma preciosa recordação da infância.
E sentado, com os cotovelos sobre aquelas toalhas de mesa de antigamente, julgava que era preciso se abrir com os seus melhores amigos... [um pesar, porque nem a eles sentia confiança naqueles espaço de tempo e som]. Sensação de pimenta na garganta, do medroso gostar [coisas que lhe fizeram febre de manter a palavra para sair dali, somente... se fosse rumo a própria casa].
Naquele horário.. onde cada um pegou o destino da noite, cortaram suas asas de poeta. No fundo, ele necessitava mesmo era de um castelo que lhe oferecesse jantares para onde pudesse brilhar, com suas críticas espirituosas, diante de ministros, de generais, de músicos ilustres, de embaixadores. Diante do imperador e de outros poetas, pessoas que o pusessem no lugar das estrelas. Afinal, para que diabos uma pessoa estuda e trabalha tanto?
Mas, para aquele ano e naqueles exatos ponteiros de horas, a alma dele se perdia envolta na neblina que o dia não tinha. Indecifrável e sem pecado em castelos de nuvens.
Esfinge...
como, um segredo.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Para Escrever, Pablo Neruda


"Escrever é fácil: você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca as ideias.”