Confio
Dos jornalistas que se aventuram na literatura exige-se que levem uma vida dupla,
isto é, que usem duas canetas,
uma para os romances, contos e poemas,
outra para as notícias e reportagens."
José de Broucker - jornalista francês
Confio um brinde a simplicidade!
Para que seja sempre
a melhor atitude de sofisticação.
quarta-feira, 31 de março de 2010
terça-feira, 30 de março de 2010
[Só]... Sei
Ele era uma história linda, [vivia de comíssio e conduzia uma multidão], no entanto, tinha dias que era a própria oposição. Era bravo, era breve, era firme, era leve!
E disse que não se permitiria mais recados de paixão, pressão, tapa de luva, beijo na mão, vapor no espelho, água de chuveiro, chuva de verão [não, isso não]!
Mas por que será que não!¿ Que coisa [seria].
Novinho e já tão cheio de dedos! Quem quer saber de cuidar da história se a cada dia é preciso matar a fome com um cão? E aquela frase linda: “ Viver como se fosse o último...”.
É, são as minhas metidas manias de opinião.
Enfim, quanto ao entendimento, se é que ele existe [gera insatisfação]. Aquela velha mensagem...“Enquanto os cãos ladram a carroagem passa”.
[ Só]... Sei, que deixei de entender, e quando eu quero, [deixo] e .
Sou de leão, ascendente em escorpião. O que adianta ser glamour, pra viver de televisão! Se era sob medida, erraram a locação. Sei, vai ser difícil, mas o tempo é uma edição. Seja breve e seja firme na paciente contradição. Da pouca experiência, [sinto], aprendo que a presença também pode ensanguentar o chão.
[ quero a calma de uma ausência, breve, brava, firme, leve] Pra sempre, se for...
Deixo um recado a dedo no fogão: há tantos cacos espalhados pelo asfalto, [ que se for pra ser pra sempre], escolho caminhar de pés descalços, unha feita, sobre o condão. E que o Deus [ da minha oração] me permita sempre o equilíbrio. Que eu me permita, acima de tudo, um pouco mais de concentração, consideração...
Comigo. [sem querer ser egoísmo].
Escolhi me conduzir [com amor] pra distrair.
[autoria: Afani Baruffi]
E disse que não se permitiria mais recados de paixão, pressão, tapa de luva, beijo na mão, vapor no espelho, água de chuveiro, chuva de verão [não, isso não]!
Mas por que será que não!¿ Que coisa [seria].
Novinho e já tão cheio de dedos! Quem quer saber de cuidar da história se a cada dia é preciso matar a fome com um cão? E aquela frase linda: “ Viver como se fosse o último...”.
É, são as minhas metidas manias de opinião.
Enfim, quanto ao entendimento, se é que ele existe [gera insatisfação]. Aquela velha mensagem...“Enquanto os cãos ladram a carroagem passa”.
[ Só]... Sei, que deixei de entender, e quando eu quero, [deixo] e .
Sou de leão, ascendente em escorpião. O que adianta ser glamour, pra viver de televisão! Se era sob medida, erraram a locação. Sei, vai ser difícil, mas o tempo é uma edição. Seja breve e seja firme na paciente contradição. Da pouca experiência, [sinto], aprendo que a presença também pode ensanguentar o chão.
[ quero a calma de uma ausência, breve, brava, firme, leve] Pra sempre, se for...
Deixo um recado a dedo no fogão: há tantos cacos espalhados pelo asfalto, [ que se for pra ser pra sempre], escolho caminhar de pés descalços, unha feita, sobre o condão. E que o Deus [ da minha oração] me permita sempre o equilíbrio. Que eu me permita, acima de tudo, um pouco mais de concentração, consideração...
Comigo. [sem querer ser egoísmo].
Escolhi me conduzir [com amor] pra distrair.
[autoria: Afani Baruffi]
segunda-feira, 29 de março de 2010
Se eu morresse....
E se eu morresse amanhã...
Quem iria fechar meus olhos?
Minha mãe de saudades morrerria... [dor, muita dor, sentiria]
Se eu morresse amanhã!
E se eu morresse depois de amanhã,
ao meu redor, pediria, muita poesia,
os amigos do dia a dia,
minha música e um balão
Não esqueçam , por favor, não
do preto lápis para o meu olhar,
de soltar meus cabelos
dos anéis nos meus dedos
do batom pra minha boca
do esmalte nas unhas, do colar
Lembrem também do meu perfume, da saudade, do meu sorriso
e do juízo?
Bem, deixem pra eu cuidar!
Se eu morresse amanhã ou depois de amanhã
quem sabe[...] e quem um dia saberá[...]
[autoria: Afani Baruffi]
domingo, 28 de março de 2010
Gente, Renato Russo
segunda-feira, 22 de março de 2010
Sinal Fechado, Paulinho da Viola

Olá! Como vai?
– Eu vou indo. E você, tudo bem?
– Tudo bem! Eu vou indo, correndo pegar meu lugar no futuro... E você?
– Tudo bem! Eu vou indo, em busca de um sono tranqüilo...
Quem sabe?
– Quanto tempo!
– Pois é, quanto tempo!
– Me perdoe a pressa - é a alma dos nossos negócios!
– Qual, não tem de quê! Eu também só ando a cem!
– Quando é que você telefona? Precisamos nos ver por aí!
– Pra semana, prometo, talvez nos vejamos...Quem sabe?
– Quanto tempo!
– Pois é...quanto tempo!
– Tanta coisa que eu tinha a dizer, mas eu sumi na poeira das
ruas...
– Eu também tenho algo a dizer, mas me foge à lembrança!
– Por favor, telefone - Eu preciso beber alguma coisa,
rapidamente...
– Pra semana...
– O sinal...
– Eu procuro você...
– Vai abrir, vai abrir...
– Eu prometo, não esqueço, não esqueço...
– Por favor, não esqueça, não esqueça...
– Adeus!
– Adeus!
– Adeus!
Algum lugar além do arco-íris ...

"Algum lugar além do arco-íris
Acima das montanhas
Há uma terra que eu ouvi falar
Uma vez em uma canção de ninar
Algum lugar além do arco-íris
Onde o céu é azul
E os sonhos que você ousa sonhar
Realmente tornam-se realidade.
Um dia eu quis alcançar uma estrela
E acordei onde as nuvens estão longe
Onde problemas se derretem como balas de limão
No lugar acima do topo das chaminés
É onde você me achará!"
Acima das montanhas
Há uma terra que eu ouvi falar
Uma vez em uma canção de ninar
Algum lugar além do arco-íris
Onde o céu é azul
E os sonhos que você ousa sonhar
Realmente tornam-se realidade.
Um dia eu quis alcançar uma estrela
E acordei onde as nuvens estão longe
Onde problemas se derretem como balas de limão
No lugar acima do topo das chaminés
É onde você me achará!"
Legenda foto: Montanha de Brooks - Alasca. Esta cadeia de montanhas está numa posição geográfica privilegiada para a observação desse fenômeno da natureza que recebe o nome de Aurora Boreal.
Já dizia algum poeta por aí...
Basta um dente do siso nascer para abalar estruturas! haha
Em mim já nasceram os 4
Que dor!
=(
Em mim já nasceram os 4
Que dor!
=(
domingo, 21 de março de 2010
Pergunte ao Pó

Depois de muito tempo eu o encontrei.
No dedo uma aliança dourada. No rosto aquele sorriso fascinante que embalava a minha fome sempre antes da sua chegada. Nos olhos?
Nos olhos não sei! Não conseguia descrever, nem decifrar e muito menos fixar
aquele negro olhar.
Acabei por encontrá-lo numa dessas esquinas da vida. E eu não acreditava.
Mal queria acreditar!
Fui movida pela sensação da entrada forte do inverno e do intenso calor do verão. Minha mão esquerda sentia que ele me olhava com indiferença. A sua mão direita segurava delicadamente um cristal que precisa do máximo de cuidado e proteção – segurava uma menina.
No dedo uma aliança dourada. No rosto aquele sorriso fascinante que embalava a minha fome sempre antes da sua chegada. Nos olhos?
Nos olhos não sei! Não conseguia descrever, nem decifrar e muito menos fixar
aquele negro olhar.
Acabei por encontrá-lo numa dessas esquinas da vida. E eu não acreditava.
Mal queria acreditar!
Fui movida pela sensação da entrada forte do inverno e do intenso calor do verão. Minha mão esquerda sentia que ele me olhava com indiferença. A sua mão direita segurava delicadamente um cristal que precisa do máximo de cuidado e proteção – segurava uma menina.
Uma linda menina.
Observei a criança com lágrimas frágeis que acabaram desbotando o lápis dos meus olhos, e rolavam sobre a minha face ao encontro da minha roupa. A menina me olhou como se tivesse tomado conhecimento da minha personalidade; como se soubesse das minhas manias e que eu não vivia sem pintar minhas unhas.
[Ele gostava de esmaltes claros! Minhas unhas estavam vermelhas]
Ela me olhou com história. Eu olhei aquela criança, que imitava a cor dos meus cabelos,
Observei a criança com lágrimas frágeis que acabaram desbotando o lápis dos meus olhos, e rolavam sobre a minha face ao encontro da minha roupa. A menina me olhou como se tivesse tomado conhecimento da minha personalidade; como se soubesse das minhas manias e que eu não vivia sem pintar minhas unhas.
[Ele gostava de esmaltes claros! Minhas unhas estavam vermelhas]
Ela me olhou com história. Eu olhei aquela criança, que imitava a cor dos meus cabelos,
como se fosse parte de mim também.
Parecia ser minha!
Parecia ser minha!
O tempo girava, o trânsito parado, e o vento que batia nas árvores fez com que eu lembrasse uma manhã em que sentamos [ele e eu] na calçada da minha casa, para olhar os pássaros que subiam e desciam num voo incansável e invejoso. Lembro daquela mão que me segurava. Lembro do sentido que ela me dava. A mão que alimentava cada palavra de amor,
completa ou só.. [A mão que também segurava o pó].
Ao meu lado ele sempre foi mentiras sinceras... Longe de mim era velocidade, negação.
O vento que recordou aquele passado feliz, me trouxe a cor dos cabelos dele. Quanta saudade!
Ao meu lado ele sempre foi mentiras sinceras... Longe de mim era velocidade, negação.
O vento que recordou aquele passado feliz, me trouxe a cor dos cabelos dele. Quanta saudade!
As veias do braço que ainda se faziam notar. A minha vontade e os traços que o mofo dos anos não conseguia apagar, Que eu não consegui limpar!
Sentia a força que ele tinha toda vez que amassava, com o toque das minhas mãos, as pontas dos seus cabelos. Eu comeria o cabelo dele se fosse preciso.
Sentia a força que ele tinha toda vez que amassava, com o toque das minhas mãos, as pontas dos seus cabelos. Eu comeria o cabelo dele se fosse preciso.
E tomei todas as dores quanto tudo virou guerra.
A filha se desprendeu da mão do pai e foi buscar o passarinho que pulava na calçada da rua.
O silêncio dele era a música popular brasileira que eu sentia dentro do meu corpo.
A filha se desprendeu da mão do pai e foi buscar o passarinho que pulava na calçada da rua.
O silêncio dele era a música popular brasileira que eu sentia dentro do meu corpo.
Olhou nos meus olhos e desviou rapidamente. Apesar do tempo, da raiva e da história, a guerra era ainda forte.
Inútil!
Não era paz e nem abandono. Não foi tão óbvio, mas foram outros tempos.
Inútil!
Não era paz e nem abandono. Não foi tão óbvio, mas foram outros tempos.
Pergunte ao pó.
[autoria: Afani Baruffi]
quarta-feira, 17 de março de 2010
terça-feira, 16 de março de 2010
Música, Fernando Pessoa
"Para que é que havemos de falar?... É melhor cantar, não sei porquê...
O canto, quando a gente canta de noite, é uma pessoa alegre e sem medo
que entra de repente no quarto
e o aquece a consolar-nos".
"E às vezes a vida é engraçada..."
"Aprimorar!
É um conceito simples. Significa superar a si mesmo. Mostrar algo especial.
A vida é engraçada às vezes. Pode ser muito dura.
Como quando você se apaixona por alguém que não te ama. Como quando teu amigo te deixa sozinho. Como quando você aperta o gatilho, ou esvazia um frasco de comprimidos e nada pode mais voltar atrás. Dizem que não reconhecemos os momentos importantes quando estão acontecendo. Pensamos nas ideias, nas coisas ou nas pessoas e subestimamos tudo. E até não estar a ponto de perder algo, ninguém percebe o erro. Então você percebe o quanto precisava daquilo. E o quanto amava aquilo.
Meu Deus, eu amo...
Ouviram a frase: "o bom da vida é grátis"?
Essa frase é verdade. Às vezes as pessoas aprimoram. Tentam se superar, às vezes elas te surpreendem, às vezes a gente se decepciona.
E às vezes a vida é engraçada. Pode ser muito dura.
Mas se você olhar bem, vai encontrar esperança... nas palavras de uma criança, nas notas de uma música e nos olhos da pessoa que você ama. E se você tem sorte mesmo, se você é a pessoa mais sortuda do planeta, a pessoa que você ama.. decide te corresponder. "
Nathan Scott
segunda-feira, 15 de março de 2010
Valor do tempo

Mirando a escuridão que me emociona e me faz retornar,
donde a saudade se aconchega e a lembrança já não pede mais licença,
donde a angústia passageira faz morada eternamente junto do coração,
donde o amor não tem medida, afinal, não há como dizer:
agora chega, tá de bom tamanho.
Bem, eu espero a morte.
Enquanto isso vive-se, quer dizer, tenta-se viver.
Vou pensar, afinal, não dói. Não posso perder a ocasião de aprender com ela.
Morrer sim!
E naquele último instante estar alegre.
sábado, 13 de março de 2010
Idas e Vindas
Tendenciosa

A tarde era fria e ele se apaixonou por mim!
Num estado assim: sem mesa posta, sem vinho de chegada,
Sem olhar de serafim!
E me exigia todo o dia, não apenas na sexta ou sábado,
ele se permitia...
Esquecer uma ironia para encontrar o pleonasmo!
No início nem liguei, continuei a caminhar pela rua,
Concluir a leitura!
Mas, nunca me ofereceu vodka ou cerveja,
dizia preferir meu perfume sabor
Cereja.
Me fez tantos enredos, confetes de circo, dores em risos,
ocupação do espaço!
Fez-se o calor, se fez também o frio, abriu-se de sol...
e ao entrar do outono prosseguiu ...
[Uma tarde de chuva que eu gostava de ouvir,
[Uma tarde de chuva que eu gostava de ouvir,
sem excesso de flores
sem tempo para medir]
Criou no beijo o milagre dos abraços! Me elogiou em fitas,
Me cobriu de laços!
[inadiável, de perder o rumo]. Cavou buraco, armou tesouro
[fez da minha tendência...vontades... em poeira, em ouro].
[Estilhaço]
Meu doce acaso.
Março!
[autoria: Afani Baruffi]
Jardim Secreto

Eles eram em três... e sapateavam a rotina dos moradores próximos.
Dois meninos e uma menina.
Crianças com escolas particulares, com comida na mesa, com valores sociais e morais, de pais resolvidos, bem estruturados e com amor e diálogo contínuo.
Eram crianças mimadas e que, ao mesmo tempo, exibiam demonstrações de afeto e respeito aos limites impostos pelos familiares.
Entre as crianças?! Bem, você conseguia viver, magicamente, a infância esquecida – casa na árvore, jogo de amarelinha, algodão doce na esquina. Eram pequenos cristais dotados de beleza, de inteligência, de vigor e personalidade própria.
O fato foi que...
Com o passar do tempo aquele arco – íris da infância desapareceu em meio à poluição dos carros, dos rios, do ar...[Das influências]. A delicada e educada menina se fascinou com os químicos, com os ácidos, com as fumaças, que por sua vez, despertou interesses nos dois meninos - inicialmente ariscos as descobertas da amiga. Não demorou muita para que a antiga casa na árvore se tornasse local apropriado para fumar, cheirar e injetar alguns tóxicos.
Sensações?! Eles queriam mesmo experimentar o que o almoço do meio dia não era capaz de proporcionar... Alucinações!
O algodão doce da esquina, os desenhos animados de todas as manhãs, as cantigas de ninar, as travessuras, a corrida pelos jardins, as brigas e os carinhos medidos... Ficariam apenas em um canto vago da memória.
Os grupos de estudos, a dificuldade dos três na matemática, as agressivas paixões, as letras de Cazuza, os poemas de Neruda, os sons das guitarras deles, o suspiro do saxofone dela, as crises de risos e lágrimas...ficariam em uma caixa-segredo, guardada ao pé do armário da adolescência de cada um.
O que restaria?!... Talvez as ondas de suicídio, os assaltos diários, os conflitos emocionais, o abandono das ideologias, o esquecimento dos planos futuros, a força do vício, as péssimas confluências, a perda do amor próprio, da saúde do corpo. O desconcerto dos vizinhos, o desespero das famílias...
Certo dia, ouvi assim: não podemos evitar que os pássaros voem por cima das nossas cabeças, mas podemos evitar que se aninhem no nosso cabelo!
Cada um tem um jardim secreto dentro de si. Limite seus efeitos. O importante é compreendê-lo. Compreender-se!
Dois meninos e uma menina.
Crianças com escolas particulares, com comida na mesa, com valores sociais e morais, de pais resolvidos, bem estruturados e com amor e diálogo contínuo.
Eram crianças mimadas e que, ao mesmo tempo, exibiam demonstrações de afeto e respeito aos limites impostos pelos familiares.
Entre as crianças?! Bem, você conseguia viver, magicamente, a infância esquecida – casa na árvore, jogo de amarelinha, algodão doce na esquina. Eram pequenos cristais dotados de beleza, de inteligência, de vigor e personalidade própria.
O fato foi que...
Com o passar do tempo aquele arco – íris da infância desapareceu em meio à poluição dos carros, dos rios, do ar...[Das influências]. A delicada e educada menina se fascinou com os químicos, com os ácidos, com as fumaças, que por sua vez, despertou interesses nos dois meninos - inicialmente ariscos as descobertas da amiga. Não demorou muita para que a antiga casa na árvore se tornasse local apropriado para fumar, cheirar e injetar alguns tóxicos.
Sensações?! Eles queriam mesmo experimentar o que o almoço do meio dia não era capaz de proporcionar... Alucinações!
O algodão doce da esquina, os desenhos animados de todas as manhãs, as cantigas de ninar, as travessuras, a corrida pelos jardins, as brigas e os carinhos medidos... Ficariam apenas em um canto vago da memória.
Os grupos de estudos, a dificuldade dos três na matemática, as agressivas paixões, as letras de Cazuza, os poemas de Neruda, os sons das guitarras deles, o suspiro do saxofone dela, as crises de risos e lágrimas...ficariam em uma caixa-segredo, guardada ao pé do armário da adolescência de cada um.
O que restaria?!... Talvez as ondas de suicídio, os assaltos diários, os conflitos emocionais, o abandono das ideologias, o esquecimento dos planos futuros, a força do vício, as péssimas confluências, a perda do amor próprio, da saúde do corpo. O desconcerto dos vizinhos, o desespero das famílias...
Certo dia, ouvi assim: não podemos evitar que os pássaros voem por cima das nossas cabeças, mas podemos evitar que se aninhem no nosso cabelo!
Cada um tem um jardim secreto dentro de si. Limite seus efeitos. O importante é compreendê-lo. Compreender-se!
[autoria: Afani Baruffi]
quinta-feira, 11 de março de 2010
1988
"Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentaria nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens."[ e das mulheres também].
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa
terça-feira, 9 de março de 2010
A Leitura do Dia

Em ambiente de trabalho fui chamada pela mão da atenção a ouvir a leitura de uma linda frase, dita em sopro pela minha amiga/colega/bela/ Deisi Fanfa, a"Gui". Junto ao pedido de atenção e a frase soprada veio, em anexo delicado, o seguinte comentário: "Fani, é a tua cara". O conteúdo que logo logo vou expor... fora escrito por um amigo de Gui em conversa no msn. Ele, por sua vez, retirou a frase de um depoimento que encontrou no orkut de uma amiga. O autor é desconhecido, mas o sentido é de dar boca aos olhos.
Tchan Tchan...
Se um dia eu puder fazer dessa minha transparência,
a alma...
das palavras que te encantam!
a alma...
das palavras que te encantam!
De certa maneira, [ou na maneira certa], a mensagem agradou os meus ouvidos, os meus sentidos e também meu coração. É simples, é singelo, é triste e engraçado [como quase tudo ou tudo na vida]. O caso é que, em meio ao agito do mundo e ao contexto do tempo, diante das tarefas, dos meus compromissos... a frase acima me tirou da produção do ofício, enfim, do trabalho jornalístico.
Encheu-me de fortaleza, me protegeu de gratidão.
O entendimento é pessoal, é real, é fantasioso! Mas diante daquele círculo social e cultural, a frase foi dita a mim, [pra mim], em espontânea ternura! E me deixou feliz...
[...] de pés descalço na fervura!
[autoria: Afani Baruffi]
segunda-feira, 8 de março de 2010
Soneto do Orfeu, Vinicius de Moraes

São demais os perigos dessa vida
Para quem tem paixão, principalmente
Para quem tem paixão, principalmente
Quando uma lua surge de repente
E se deixa no céu, como esquecida
E se o luar que atua desvairado
Vem unir-se uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher
Uma mulher que é feita de música
Luar e sentimento, e que a vida
Não quer de tão perfeita
Uma mulher que é como a própria lua:
Tão linda que só espalha sofrimento
Tão cheia de puder... que vive nua.
Um dia... Mulher!
Parabéns e um feliz dia [ nosso ].
domingo, 7 de março de 2010
Confio na boca

Pinto a unha de laranja somente para ser sutil e saio para caminhar!
Meu horário é o de sempre, é o igual, ... é sugestivo, é natural. O céu precisa ter raízes, daquelas que pintam quadros, se assim não o encontro, pra mim é anormal. O alcance tem que ser surreal, ligeiro, audasioso, dengoso, pra inspirar poesia e um conto no final.
Gosto mesmo é de retornar no cair da noite. Nesses dias, que antecedem o outono, tem aquele vento gestual, que resfria a pele, que refresca o pensamento, que arrepia as histórias que eu crio [que me criam] e me tiram a moral. Tudo dependerá muito da intimidade que me dará ouvidos.
Meu querido vento, me abraça todo o dia!
Calço tênis, meia branca sempre, me encho de ouro e esqueço a casa, o dia seguinte, os deslizes, as ameaças [essas que fizemos de mim para mim, de nós para nós]. Além do sentimento de paz, me vem a saudade sincera da família [meu pai deve estar tomando a sagrada cerveja, minha mãe estará estudando os jardins da casa da minha infância]. Mais uns dias e o ambiente perderá seu ar, Há tanta flor que dá pra sufocar. Deixo ela plantar suas mudas, quando volto pra casa me alegro de cores e sentamos na sombra ao pé de uma árvore onde tomamos chimarão, escutamos música e nos confessamos [uma com a outra]. Ninguém constroe um sentimento assim com dinheiro! Só sei que os amo muito e tanto. Meu pai realidade, minha mãe canto.
Caminho para manter a saúde e iludir o tédio. Caminho para manter a paixão. Sou feita de muitos amores, de tristeza [afinal, ela existe], de poeira, de alegria, de passado, de observação. Encontro um conhecido e também quem nem conheci! Bicicletas, cachorros, crianças, imensidão. É tudo tão lindo, de iluminar. Queria poder viver mais, decorar mais sonetos,
encantar coração!
O trânsito é cegueira branca,
um circuito rápido e lento
Olho nos olhos é importante [desvia a mentira]
Mas confio e gosto mesmo é da boca
[Como] melhor elemento.

"Tão longe, longe, longe, longe agora sinto
Saudades de nós dois
De um tempo quando estávamos tão perto
E tão certos do que iríamos fazer
Um beijo longo, longo, longo agora lembro
Raros momentos de prazer
Que eu gravo agora nessa fita demo-tape
Que é pra ninguém esquecer
A vontade de falar tudo isso pra você
Já virou mais uma página
Palavras são como os boêmios,
Gostam de sair à noite."
sexta-feira, 5 de março de 2010
Cazuza, 1987
"Li uma vez que você vive não sei quantas mil horas e que pode resumir tudo de bom em apenas cinco minutos. O resto é apenas o dia a dia. Um olhar, uma lágrima que cai, um abraço... Isso é muito pouco na vida. Então, isso vale mais que tudo pra mim. Prefiro não acreditar no Day After, no fim do mundo, no apocalipse."
"Espero que, no futuro, não se esqueçam do poeta que sou. Que as pessoas não se esqueçam de que, mesmo num mundo eletrônico, o amor existe. Existem o romance e a poesia. Que mais crianças venham a nascer e é fundamental o amor aos pais. "
"Uma promessa maluca, tão curta, quanto um sonho bom."
p.s: Pra mim, o melhor!
quinta-feira, 4 de março de 2010
Pandora

Só converso com as ruas que me levam até minha casa.
Sutil, Pensativa, Decidida, Dedicada [...]
Vou de olhos fechados e boca marcada,
Roupa discreta, sorriso aberto,
fome contida, unha colorida,
Chave de chegada.
Ponto de confronto
Ponto de confronto
E ainda faço questão de usar perfume, até mesmo sem a pretensão de um encontro ...
Apenas para pegar a estrada.
O vento, os sentimentos, o movimento,
a calçada [...]
a calçada [...]
Todos merecem um aroma,
De cores...
De cores...
De cuidado, de arte, de fachada.
Enfim, com a noite encomendando sabores e
Mergulhando corações em minhas xícaras, Na janela recados de fitas
No meu quarto almofada de amores...
Sabores,
E acima de tudo armada calma, folheada
No meu quarto almofada de amores...
Sabores,
E acima de tudo armada calma, folheada
Sinto a porta, encontro a escada, abro o baú,
Me encho de brilho, abraço minha alma.
Eu, perfumada!
[autoria: Afani Baruffi]
Hoje é o dia Nacional do Chocolate
A pele, o fogo e o vinho

Nem todo o homem que te convida para sair, é para casar.
Nem todo o beijo é para romancear.
E nem todo o sexo bom é para descartar... ou se apaixonar... ou se culpar!
Perceba que pele, fogo e vinho são bichos traiçoeiros.
O legal é alguém que está com você, Só por você.
Mesmo com um dia a dia cheio....
De corpo, de meio
Por inteiro.
terça-feira, 2 de março de 2010
Érico Veríssimo

"Creio que o enigma da vida é já tão complicado que o escritor não deve criar em torno dele outro enigma, nem mesmo de natureza verbal. A poesia, sim, é o reino das palavras... E há estados da alma que nem a poesia consegue descrever ou mesmo sugerir, e é nesse ponto que a música pode ser chamada em seu socorro".
Picolé de Limão
Saímos ela e eu, eu e ela,
Pintadas de ouro em tom aquarela.
De vestido e com sapatinho de fita
Com nossas fábulas de meninas,
Duas soldadas da moderna construção
Minha prima me pediu uma metonímia...
Dê súbito lhe comprei um balão
O nariz de palhaço eu ja tinha
O que me faltou foi... Sensação!
Disse a ela: " Bonequinha, se segure em mim...
não escape da minha mão".
Saímos feito bola,
Cabelos na multidão...
eu ela ela eu
Bolhas de sabão, o colorido das bocas, olhos felizes, doces de algodão!
E paramos com a minha falta de folêgo,
então
Eu queria sorvete, ela pediu picolé de limão
[...]
Com uma felicidade [criança] no coração ...
Pedi que trocassem o meu pedido,
Pedi que trocassem o meu pedido,
Sorvete me gelou de Responsabilidade
Aquele picolé, não!
Juntas, por fim deterremos,
o frio sabor da tentação
a princesa e a rainha dos tentos
[O sorvete ficará para os próximos contos,
Hoje sou uma criança com outros tempos].
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