Confio


Dos jornalistas que se aventuram na literatura exige-se que levem uma vida dupla,
isto é, que usem duas canetas,
uma para os romances, contos e poemas,
outra para as notícias e reportagens."

José de Broucker - jornalista francês


Confio um brinde a simplicidade!
Para que seja sempre
a melhor atitude de sofisticação.


sábado, 3 de julho de 2010

A proteção estava fragilizada e a fé acabou se perdendo em algum lugar da casa. O amor, por opção, prendeu-se no filtro colocado na cafeteira. Não era prioridade, por isso, ficou por ali mesmo, sem dar gosto a nada, muito menos ao café passado. Tudo muito político e racional. Prático, moderno, tecnológico, atual.
Não se ouvia mais música, nem mesmo aquela interior que resulta no som de um assovio. Os livros ganharam plástico para serem colocados na estante como decoração, protegidos do pó dos dias. Sentimento! Só se fosse aquele materialista, de construir, construir, construir - feito pedreiro; acumular, acumular, acumular - feito gente grande. Uma gente adaptada ao sistema. Condizente a ele.
Naquele mundo de preocupações e cobranças só se pensava em liderança, em ser mais e melhor, melhor e mais. Lutar mais, ganhar mais, trabalhar mais.
Que mundo! Mundo familiar...
Entre um café e outro, percebo o quanto isso não contagia, pelo contrário, estressa e é contagioso. Os aniversários se repetem, se repetem também as insatisfações, as ambições.
Gravo tudo - aúdio e vídeo, edito as imagens, coloco efeitos, filtro, dou cor e na finalização
me repito. Mas a vida não. Oferece-me apenas uma oportunidade. Oportunidade que não sei até onde vai me levar... E até quando será oportuna.

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