Confio


Dos jornalistas que se aventuram na literatura exige-se que levem uma vida dupla,
isto é, que usem duas canetas,
uma para os romances, contos e poemas,
outra para as notícias e reportagens."

José de Broucker - jornalista francês


Confio um brinde a simplicidade!
Para que seja sempre
a melhor atitude de sofisticação.


quarta-feira, 30 de junho de 2010

No corpo de um soneto

Tinha muitas letras espalhadas pelo corpo. Um corpo feito de literatura.
Eu nessas horas, leitura!
Quando ele falava comigo esquecia que tinha ouvidos, alguma parte do meu cérebro bloqueava automaticamente minha audição, ou era alguma parte do coração? Imaginação.. Não sei,
sei...
Apenas o lia, inteiro, sem pudor. As palavras saíam da boca e, nuas, percorriam os contornos do rosto até se vestirem com a pele branca cristal. Um recorte de versos, tecido de humano, que costurava estrofes trajando o delinear das costas, no corpo de um soneto. Era lindo, era lírico, era lúdico, de perder a razão!
Bastava eu desligar minha capacidade de som que a literatura dele acontecia ordinária: provocava, incendiava, fazia carinhos, causava aquela tontura da vodka procedida pelo impulso de um vinho. Tudo mistura louca dos meus dias de frio, mas que pegava de jeito. Seduzia o equilíbrio.

Não, amor nunca foi! Porque, quando se ama, de certa forma se perde muito, se perde todos os dias. E eu ganhava, lucrava todo o feitio.
Era mesmo decisão, ninguém ali queria perder, por isso, bastava eu decidir me apaixonar em exatos dias, que eu o via,
e o corpo dele tecido ...
Tecia poesia.

Clarice L.

“Acho que devemos fazer coisa proibida – senão sufocamos.
Mas sem sentimento de culpa e sim como aviso de que somos livres.”

Melodia do Vinho

Seco.
Eu seco,

Sem DÓ.

Pra MIm, nem precisa ir ,

Basta sair o sol.
que a tristeza da
Mel.o.dia em SÍ.
tu com eu

no teu sofá.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Laços & Percepções

Como estão nossos fios? Como estão nossos laços? Somos realmente capazes de perceber, e evitar, os efeitos que uma força externa tem sobre nossas ligações, ou apenas esperamos seus resultados para não termos que assumir a total responsabilidade pelo distanciamento daqueles que nos eram agradáveis e caros?
'O destino escolhe quem encontramos na vida. As atitudes definem quem fica.' Perfeita, não?
Mas quem, ao ler essa frase, pensa que as definitivas atitudes podem ser suas próprias e não apenas as do outro? E vice-versa...

domingo, 27 de junho de 2010

NOTA OFICIAL

Restabelecer o diploma é valorizar o Jornalismo e os jornalistas

No dia 17 de junho os jornalistas e a sociedade brasileira registrarão um aniversário indigesto. Há um ano, o Supremo Tribunal Federal derrubou, por maioria, a exigência do diploma em curso superior de Jornalismo como requisito para o exercício da profissão. Protestos em todo o país marcam a data, expressando o desejo de que o Congresso Nacional repare este equívoco cometido pela corte máxima do Judiciário brasileiro, restabelecendo a exigência do diploma como elemento fundamental para assegurar à sociedade o direito à informação de qualidade e às liberdades de imprensa e de expressão.

Ao dar guarida aos argumentos de entidades patronais de comunicação, o STF desobstruiu ainda mais o caminho para o grande empresariado do setor prosseguir precarizando as relações de trabalho, em nome de uma liberdade de imprensa e de expressão que os barões da mídia só defendem quando lhes interessa.

Práticas de censura e cerceamento à livre circulação de informações e ideias são corriqueiras nos grandes veículos quando afetam os interesses econômicos e políticos dos donos da mídia. Se os ministros do STF desconhecem tal realidade, reforçam o dito popular de que “a Justiça é cega, mas enxerga quando quer”.

Não há porque impedir a definição de requisitos para o exercício qualificado e ético da profissão de Jornalista. Mas faz-se necessário, hoje, inserir na legislação brasileira dispositivos para que isto fique ainda mais claro. Assim se evitará que os que enxergam a informação como mercadoria e exploram os trabalhadores prossigam utilizando as liberdades de imprensa e de expressão como mantos para encobrirem seus verdadeiros interesses. Este é o objetivo das Propostas de Emenda Constitucional apresentadas na Câmara dos Deputados pelo deputado federal Paulo Pimenta (PT/RS), e no Senado da República pelo senador Antônio Carlos Valadares (PSB/SE).

O movimento pela aprovação das PECs ganha cada vez mais força, com o apoio de parlamentares e membros do Executivo federais, estaduais, municipais, instituições de ensino e entidades representantivas da sociedade civil.

Neste momento, as atenções se concentram no pleito à Comissão Especial que analisa a PEC 386/09 para que diga SIM AO DIPLOMA! A grande mobilização que jornalistas, professores e estudantes protagonizam a nível nacional se fará presente no dia 17 de junho nas ruas do país e prosseguirá até a vitória!

Brasília, 15 de junho de 2010.
Diretoria da FENAJ - Federação Nacional dos Jornalistas

sábado, 26 de junho de 2010

Ele

... era um encanto.

No entanto, envergonhou-se do "en", tanto,
Que terminou (o) em canto.

Viviane Mosé¹

Acho que a vida anda passando a mão em mim...
acho que a vida anda passando, acho que a vida anda.
A vida anda em mim! [...]

¹Viviane Mosé. Poeta, psicóloga e psicanalista, mestre e doutora em filosofia. Escreveu e apresentou, em 2005 e 2006, o quadro Ser ou não ser, no Fantástico, onde trazia temas de filosofia para uma linguagem cotidiana. www.vivianemose.com.br

quinta-feira, 24 de junho de 2010

O Teatro Mágico

[...]
Meninas são bruxas e fadas,
Palhaço é um homem todo pintado de piadas!
Céu azul é o telhado do mundo inteiro,
Sonho é uma coisa que fica dentro do meu travesseiro!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Carlos Drummond de Andrade¹

"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade."

¹poeta, contista e cronista brasileiro.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Imagino o que não vivo

Espero o sono vir e, enquanto isso, fico com a imaginação!
Imagino o que não vivo. Afinal, viver é causa e consequência,
Soa até como imposição.
Imaginar é graça, é certo desequilíbrio, é encanto, é espanto.
Abrigo.
Hibridismo, Personificação!

No mundo da minha imaginação,
a fotografia é épica e eu edito as cenas para compor a ação.
As cores me escolhem, os vestidos eu desenho, as trilhas chegam por meio de cartas
e os juízos se escondem na transparência de bolhas de sabão.

Têm árvores enormes pelo caminho,
melancia com gosto de limão.
Tem um violão que dedilha suas cordas sozinho
Tem um castelo em forma de taça de vinho
Tem sexo que deseja ser um dia carinho
Tem aroma de laranja e de uva, tem Cazuza,
Tem barco de papel que aspira ser balão.

Há uma tarde que se abraça com uma montanha
Há também um balanço branco no alto de uma colina.
Há cristais macios na minha retina
Há sorrisos na minha audição
Há um lobo que dança com uma luva,
que pensa poder, um dia,
Guardar a chuva.

E tem chuva!!!!!
que não cai de uma nuvem, mas de um pé de algodão.
Tem comida japonesa, portuguesa, sobre(a)mesa
Tem magos que andam à cavalo,
Não existe etinerário
tem palhaço, tem espaço, tem amasso,
Tem paladar de sinceridade, sem tato pra solidão.

No meu mundo da imaginação
Há livros por todos os cantos. Muitos roteiros e contos
Notas musicais... instrumentos

Vinicius de Moraes, Gabriel García Márquez, Milton Nascimento
"aquilo que dá no coração" ¹
Sentimento .

Há um alfabeto que possui raiz... Enriquece plantação
e frases que navegam por águas claras a todo o momento.
Há eficácia e eficiência. Equipamento
sem colisão.

Tem um pé de pêssego que quer ser um moinho de vento
Tem talento, muito talento
e no fim do infinito uma televisão.

[Me viro e sinto o colchão]...

Então, o pólo das imagens faz a imaginação adormecer
O sonho do agora é a realidade do amanhecer.

¹ Titulo de uma composição de Lenine. Aquilo que dá no coração.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Martha Medeiros

Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.

"Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho".


sábado, 12 de junho de 2010

Rubens Alves, Olhos do Luar

"....A alma é uma coleção de belos quadros adormecidos, os seus rostos envolvidos pela sombra. Sua beleza é triste e nostálgica porque, sendo moradores da alma, sonhos, eles não existem do lado de fora. Vez por outra, entretanto, defrontamo-nos com um rosto (ou será apenas uma voz, ou uma maneira de olhar, ou um jeito da mão...) que, sem razões, faz a bela cena acordar. E somos possuídos pela certeza de que este rosto que os olhos contemplam é o mesmo que, no quadro, está escondido pela sombra. O corpo estremece. Está apaixonado.
Acontece, entretanto, que não esxiste coisa alguma que seja do tamanho do nosso amor. A nossa fome de beleza é grande demais.(...)Cedo ou tarde descobrirá que o rosto não é aquele. E a bela cena retornará à sua condição de sonho impossível da alma. E só restará a ela alimentar-se da nostalgia que rosto algum poderá satisfazer...!"

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Foi no mês que vem, Vitor Ramil

Vou te vi
Ali deserta de qualquer alguém
Penso, logo irei
Que seja antes minha que de outrem
Quando o vento fez do teu vestido
Um dom que Deus te deu
Claro que eu rirei
Ao vendo o que outro alguém não viu

E tudo isso
Foi no mês que vem
Foi quando eu chegar
Foi na hora em que eu te vi

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Misturas

Ele sempre exercia duas vidas ao mesmo tempo. Uma aqui, mas na outra ela não entrava. Com lágrimas nos olhos dizia que a amava mais do que qualquer coisa. Porém, ela não sabia ao certo... e dia após dia era ainda mais difícil entender sua doente letra.
O amor deles foi uma casinha na árvore. Pulavam os mais deliciosos frutos para roubar os mais diferentes muros. Assim como as antigas fotos a mistura dos dois era uma locução sincera. O som dele era um barulho de chuva. O cheiro dela era aroma de madeira.
À noite bebiam todo o escuro por engano. Ela sempre pedia para dormirem de pés dados e ele nunca reclamara. Ele gostava mesmo era de sentir o batimento dos dedos colados. Dizia que parecia toques de violão.
Mas ele amava vícios e outras armas. Já ela amava livros e comia ficções sem a mesa preparada. Ele era o vinho no inverno e ela jamais beijava sem morder. Ambos tinham uma feroz raça e nos dentes uma doce malícia. Ele sempre pedia a ela que parasse de escrever e dedicasse maior atenção. Ela era o texto que ele não conseguia decorar. Ela era artigos da Constituição.
Nunca apreciou cigarros. Porém ele...Os consumia. Na ausência, a fumaça de um diminuía a solidão dela.
...
Passou-se um tempo e o relógio escorreu ponteiros ...de horas ruins!
...
Ela passou a dormir menos tranquila e ele passou a acordar sem dormir. A teimosia dele que a princípio, ela sempre achara que fosse charme e um toque de ousadia, causou nela vertigem de ira e provocação.
O casamento virou uma casa destelhada. Fidelidade? As escovas de dentes não tinham a mesma aproximação. No entanto, ele se desculpava para fazer de novo. Segundo um ditado, o excesso de doçura também apodrece os frutos,
E ela foi adquirindo maldades alheias.
A perda foi o sangue que ela ofereceu para ele beber sem taça.

Até hoje me culpo por nada ter feito naqueles momentos. E até hoje ele chora pedindo o canto vazio da cama dela.
“Penso ter vivido o que escrevi e deixo de viver o que está escrito” [Fabrício Carpinejar].
As cartas de amor que ganhei... hoje adormecem sobre a minha camisola, embaixo de um colorido travesseiro. Foram escritas com uma pena, selados com uma língua e rasgadas com algumas bocas de poemas.

Acordo! Seguro o café e aos poucos vou bebendo a xícara.
Nessa mistura, [eu sei].. Jamais terei paz no corpo dele!

terça-feira, 8 de junho de 2010

Dica

Se for pra se distrair, que não seja
con.traste

domingo, 6 de junho de 2010

Coisas são

É o segundo,
mais tarde o próximo, e o seguinte.
É o que passou,

despercebido e o que se foi,
Rapidamente.

O vidro do carro mostra o que ficou, o que partiu
O que está agora,

no pensamento uma mesmice das horas,
de trânsito lento.

O vidro do carro, reflete os olhos
com lembranças distraídas.
Mostra as ruas que me escolheram, calçadas e avenidas
Deixa visível, se vou pra frente
Omite as coisas, que ficam para trás
Só que a gente nunca sabe,
que coisas são essas.

sábado, 5 de junho de 2010

Leoni, Fotografia

Quando a tarde toma a gente nos braços
Sopra um vento que dissolve o cansaço
É o avesso do esforço que eu faço
Pra ser feliz
O que vai ficar na fotografia
São os laços invisíveis que havia
As cores, figuras, motivos
O sol passando sobre os amigos
Histórias, bebidas, sorrisos


sexta-feira, 4 de junho de 2010

Leoni e Rodrigo Maranhão

Eu tô falando de amor, E não da sua doença, Eu tô falando amor!

http://www.youtube.com/watch?v=x7wUYrOSU3Q

Composição linda!

Balzac

"Era mulher, com seus medos repentinos, seus caprichos sem razão, suas perturbações instintivas, suas audácias sem causa, suas bravatas e sua deliciosa finura de sentimentos".
Trecho retirado de :
BARTHES, Roland. O Rumor da língua - editora -Brasiliense 1988.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Deus


Dê olhos e ouvidos
e assim vou conquistando tudo ao longo do dia



.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Pesquisa Crônicas Josué Guimarães

CANAL DE NOTÍCIAS - UPF TV
Jornalismo diário a serviço da sua cidadania.
Canal 4 da TV aberta - 15 da NET

Horários de Exibição:
12h 30min às 13h e das 19h 30min às 20h

O Canal de Notícias está apresentando uma série de reportagens com as pesquisas feitas por professores e alunos da Universidade de Passo Fundo. A pesquisa da reportagem de hoje leva você ao trabalho realizado pelo curso de Letras. Conheça um pouco mais sobre um jornalista e escritor que tem uma ligação muito especial com Passo Fundo.

Lenine & Roberta Sá


O nosso jogo é perigoso menina, nós somos fogo, nós somos fogo,

Nós somos fogo e gasolina.

Esqueço...

brinco, pulseira, anel, colar
[com todos, em todo o lugar]

Não me importo e sinceramente não é proposital.
São esquecimentos involuntários
Devolução? Não volto para buscar. Não exigo, não preciso.

Esqueço porque não há um apego maior ou motivo de preocupação
São peças minhas, que não sou eu
Nunca fui acessório.
E não esqueço para ser "achada", para ser lembrada ou mesmo para retornar.

brinco, pulseira, anel, colar
e o que poucos entendem é que isso tudo - mundo mudo...
Não substitui perfume, não dá nome, não esquenta o olhar
Não se comunica, não enriquece e menos ainda intensifica.
Então pra que se orgulhar!

Esquecer pra mim faz parte de uma mágoa,
bem mais antiga.

João Guimarães Rosa,

'O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente
é coragem.'