O suco contornava a superfície interna de um copo de vidro e se espalhava antes de receber a boca e a sede. A polpa movimentava o açucar, expandia-se dentro da própria limitação.
Imitando o líquido, fazia-se o ambiente, inquieto e adoçado: pessoas riam, falavam alt0, executavam seus pedidos. Alguns se concentravam para reuniões, poucos para apreciar o cardápio. A decoração era rústica, as luzes vivas e as cores eram quentes. No entanto, a informação veio como água fria, enquanto, lá fora, a chuva decorria...
- Casou?!
[suspirei e derramei]
O líquido saiu do copo e foi se acalmar na textura da mesa. Os olhos percorreram meu informante e os arredores, infiltraram-se na corrente sanguínea e por pouco senti que iria transbordar da mesma forma que acabara de fazer com a bebida do copo. Solicitei um guardanapo para limpar a mesa molhada e desejei uma toalha de banho para me secar, por dentro.
Engoli o momento com pouca apetite e acredito que a cor do olhar foi procurar a retina em algum trabalho de arte fixado na parede. Pensei em cegueira, mas queria [de verdade] retroceder para bloquear a audição. A boca tremia, a língua enrolava palavras, as pernas enfraqueciam, a energia se diluía e o ar dosava. O aroma cítrico do perfume se confundiu, a notícia trouxe ao corpo hipotermia.
Um simples verbo conjugado ca(u)sou sensação de nudez... Tentei me cobrir com distância. Amortecer o disparo... mas me veio outra lança...
- Tem uma criança! Dois anos de idade.
Perdi o ritmo, sangrei ódio com acessos de contínuos arrepios. Precisei de atendimento.
Cheguei a pensar que tudo era inconsciência de um sonho. Senti o corpo doer, a feminilidade adormecer, profunda...
Se arrependimento,
matasse...
[matou]
uma alma, menina.
Imitando o líquido, fazia-se o ambiente, inquieto e adoçado: pessoas riam, falavam alt0, executavam seus pedidos. Alguns se concentravam para reuniões, poucos para apreciar o cardápio. A decoração era rústica, as luzes vivas e as cores eram quentes. No entanto, a informação veio como água fria, enquanto, lá fora, a chuva decorria...
- Casou?!
[suspirei e derramei]
O líquido saiu do copo e foi se acalmar na textura da mesa. Os olhos percorreram meu informante e os arredores, infiltraram-se na corrente sanguínea e por pouco senti que iria transbordar da mesma forma que acabara de fazer com a bebida do copo. Solicitei um guardanapo para limpar a mesa molhada e desejei uma toalha de banho para me secar, por dentro.
Engoli o momento com pouca apetite e acredito que a cor do olhar foi procurar a retina em algum trabalho de arte fixado na parede. Pensei em cegueira, mas queria [de verdade] retroceder para bloquear a audição. A boca tremia, a língua enrolava palavras, as pernas enfraqueciam, a energia se diluía e o ar dosava. O aroma cítrico do perfume se confundiu, a notícia trouxe ao corpo hipotermia.
Um simples verbo conjugado ca(u)sou sensação de nudez... Tentei me cobrir com distância. Amortecer o disparo... mas me veio outra lança...
- Tem uma criança! Dois anos de idade.
Perdi o ritmo, sangrei ódio com acessos de contínuos arrepios. Precisei de atendimento.
Cheguei a pensar que tudo era inconsciência de um sonho. Senti o corpo doer, a feminilidade adormecer, profunda...
Se arrependimento,
matasse...
[matou]
uma alma, menina.
Com traços de confiança... ficou
(a) Mulher
Não se deixe viver apenas o que é possível ! Que lhe seja permitido desaprender limites.
bá.
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