Confio
Dos jornalistas que se aventuram na literatura exige-se que levem uma vida dupla,
isto é, que usem duas canetas,
uma para os romances, contos e poemas,
outra para as notícias e reportagens."
José de Broucker - jornalista francês
Confio um brinde a simplicidade!
Para que seja sempre
a melhor atitude de sofisticação.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
"Quase-nada"
[Esperava-me na porta, além de rosas brancas simbolizando a paz de um sentimento que abraçou a pele de amizade, também um livro de contos de vida]
Retrocedo para explicar ao leitor: quase dia claro, encontro-me com o porteiro que, em pleno feriado riograndense, passara para pegar algumas correspondências do prédio.
- A senhorita andou recebendo mais presentes. Coloquei as entregas na tua porta.
Verbalizei um agradecimento ao porteiro e acabei me atrapalhando entre pés e saltos na pressa de chegar até a porta...
Minha porta. Uma parte da casa que passei a gostar de verdade, sentir, tocar com cuidado. Nestes últimos meses, muito mais que proteger meu espaço individual, meu habitat, ela deixou que ficassem recostados em seu corpo amadeirado... poemas, presentes e belas flores. Quisera eu que isso nunca tivesse fim. Logo, logo me mudo e vou sentir saudades das trocas, desses dias que eu só saia de casa para poder voltar e encontrar sentido, valor, auto-estima, [...] sensações acalmadas por uma porta.
Eis que lhe contava que, além das brancas flores endereçadas em consideração a um término afetivo que acontecera no dia anterior, recebi, sem pacote, um livro cheirando histórias dolorosamente humanas. Conforme coloca o autor, uma mistura de lágrimas, desejos e sonhos. Confesso, fiquei comovida quando abri o livro e li na página 65 junto ao capítulo "Cinzas ao mar" o carinho da dedicatória escrita por Valmor Bordin, psiquiatra e autor da obra: "o quase-nada"
Sem ler os contos, peguei meus olhos traduzindo os estilhaços de vidros ilustrados na capa. Logo alcancei, reduzi e ampliei o significado do título: quase-nada.
Enquanto alguns pensam que são quase-tudo, a vida é (quase) nada... e basta pensar que o fim ou o começo de todos é a morte, para auxiliar a reflexão de que orgulho é tolice perto da grandiosidade da humildade em vida. Obrigada Bordin, por compartilhar esse querer, esse desejar compreender a humanidade. Reproduzi Cazuza e agradeci pelas companhias de trabalho, pelos amigos... adocei as mãos pelos retratos de família e desejei viver (quase) ainda mais..
Cazuza, 1987: Li uma vez que você vive não sei quantas mil horas e pode resumir tudo de bom em apenas cinco minutos. O resto é apenas o dia-a-dia. Um olhar, uma lágrima que cai, um abraço... Isso é muito pouco na vida. Então, isso vale mais que tudo para mim. Prefiro não acreditar no Day After, no fim do mundo, no apocalipse.
sábado, 18 de setembro de 2010
Investimentos
Acordamos mudos de improviso.
(Re)aconteceu o que já havia acontecido.
Teu aniversário,
e eu me aventurei num poeminha escrito com café, aroma, programação e visto.
Acredito que sentia e pensava tudo ao teu redor. Eu, no teu colo[rir]
permanecia, ouvia, conduzia, fazia ainda melhor.
Sem extensos argumentos, mesmo ja mestranda apta a narrar a descontrução de uma epopéia... para biografar o acontecimento,
escolhi de cima observar, primeiramente. Romântica, sem espaço para heróis - esses deuses ausentes de sofrimento.
No teu cardápio de aniversário quis a imperfeição, o humano de alcance. Romance - a busca do sentido que (me) faltava para a vida.
Entre uma coerência e uma contradição, "O amor físico é sem saída", tentação, pecado, purificação.
Sentia ódio por não esconder meus dedos sinceros e de ouvir de ti somente respiração. Tua respiração, nua, chegando em mim como mãos, querendo justificar pudor. Machado de Assis, no túmulo, soprava o que teus olhos me falavam como boca.
Não quero que esqueças da tua culpa! Afinal, procurou-me novamente e com reincidente malícia. A minha responsabilidade é branca e já assumi , te encontrei com verdade, quase fraca, forjando ser malandra. "Quem se mostra, se encontra, por mais que se perca no caminho. Essa vida é pra mostrar". Mostrei-me [mais uma vez] inconsequente de ternura, rainha de copas, em uma festa com rato e sem rei. Te dei um pouco de trabalho, isso eu sei... E não teria graça, se e não, provocasse alguma inquietação.
(Re)aconteceu o que já havia acontecido.
Teu aniversário,
e eu me aventurei num poeminha escrito com café, aroma, programação e visto.
Acredito que sentia e pensava tudo ao teu redor. Eu, no teu colo[rir]
permanecia, ouvia, conduzia, fazia ainda melhor.
Sem extensos argumentos, mesmo ja mestranda apta a narrar a descontrução de uma epopéia... para biografar o acontecimento,
escolhi de cima observar, primeiramente. Romântica, sem espaço para heróis - esses deuses ausentes de sofrimento.
No teu cardápio de aniversário quis a imperfeição, o humano de alcance. Romance - a busca do sentido que (me) faltava para a vida.
Entre uma coerência e uma contradição, "O amor físico é sem saída", tentação, pecado, purificação.
Sentia ódio por não esconder meus dedos sinceros e de ouvir de ti somente respiração. Tua respiração, nua, chegando em mim como mãos, querendo justificar pudor. Machado de Assis, no túmulo, soprava o que teus olhos me falavam como boca.
Não quero que esqueças da tua culpa! Afinal, procurou-me novamente e com reincidente malícia. A minha responsabilidade é branca e já assumi , te encontrei com verdade, quase fraca, forjando ser malandra. "Quem se mostra, se encontra, por mais que se perca no caminho. Essa vida é pra mostrar". Mostrei-me [mais uma vez] inconsequente de ternura, rainha de copas, em uma festa com rato e sem rei. Te dei um pouco de trabalho, isso eu sei... E não teria graça, se e não, provocasse alguma inquietação.
Consumindo o equivocado, estilhaçando-me no teu chão...
Ao som da última nota do meu saxofone gostaria, apenas, que essas lembranças morassem com a gente, pois não estarei mais nos teus próximos aniversários.
Vou abraçar outros [investimentos pela frente].
Terceira margem, outra vertente.
Ao som da última nota do meu saxofone gostaria, apenas, que essas lembranças morassem com a gente, pois não estarei mais nos teus próximos aniversários.
Vou abraçar outros [investimentos pela frente].
Terceira margem, outra vertente.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Um coração tecno.lógico
Nasceu do amor do pais, sem possibilidade de aperfeiçoamento genético,
até o dia que...
Acordou cheio de fios. Seria possível?
[Laboratório] - a ele fora dada a garantia do domínio, da provocação, do poder.
Do Estado recebera a melhor combinação genética possível - transfusões de DNA.
Hemograma. Alteração da hemoglobina. Sangue coagulado.
Pactuou a vida. Rubricou o contrato.
[queria sentir medo, mas não conseguia]. Algo bloqueava qualquer sentimento democrático.
Abriu os olhos. Tinha a visão das projeções desejadas: lugares, cargos, autoridade, bebidas, felicidade suprema
Cada parte do corpo ganhou o dispositivo exato para acionar profundidades...
Uma armadura metálica substituia a pele branca.
Naquela manhã em que o sol ardia mais que o natural, o corpo se movia digitalmente - uma nova mídia da tecnologia surgia. Evolução? O surpreendente é que a ciência era tamanha e, no entanto, o calor do dia não aquecia. Seria possível?
Seria.
Por dentro, só o frio.... produzia.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
O peso das coisas
Já não chega todo o peso que levas nas costas, que diabos ficas a pesar os bolsos, menina?! Sofres mesmo, mas por escolha!
Dispensou qualquer expressão. Nenhum verbo proferido,
apenas pensou, sem conjugar, no infinitivo.
Continuou com as rosas no bolso...
Como se fosse possível pesar literatura! Tolice. Sofria com prazer
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