Confio


Dos jornalistas que se aventuram na literatura exige-se que levem uma vida dupla,
isto é, que usem duas canetas,
uma para os romances, contos e poemas,
outra para as notícias e reportagens."

José de Broucker - jornalista francês


Confio um brinde a simplicidade!
Para que seja sempre
a melhor atitude de sofisticação.


quarta-feira, 12 de maio de 2010

Febre


A luxúria do nosso tempo desconhece o outro!
Só confere valor à excecução plena do desejo. E o desejo quer porque quer...
Para Freud, os desejos são pulsões que nos movem em busca da satisfação.
Através da história, a luxúria foi um vício ferozmente perseguido mediante pesados castigos registados nas passagens bíblicas. No poema "A Divina Comédia" de Dante Alighieri, o personagem reflete sobre "as ilusões do amor e os desejos loucos" que levam as almas a descrição de um castigo. E atualmente, o que resta de pecado nisso?
O relacionamento breve promove a ilusão de um encontro perfumado de aparências - um "curtir" - comportamento que busca acalmar a angústia através de um prazer máximo. Diante da provocação , das expectativas e das incertezas de não saber o que vem pelo caminho, a exposição promete, falsamente, encurtar a angústia desse contato. A inicial distância, ainda que pequena, parece insuportavelmente grande. Estar com alguém pode adquirir os contornos de uma certa necessidade, de um tormento, no qual as frágeis fronteiras de cada um se rendem facilmente quando os olhos se fecham e os carinhos se anunciam. Aí então a satisfação pode virar um jogo de sentido e aproximação quando for cômoda ou conveniente.
Se o comportamente do desejo tenta eliminar o mal-estar da intimidade com o outro, através da exposição, a intimidade significa mais que tomar certas liberdades. Entender o íntimo e o singular nos permite desejar não um corpo qualquer, mas um corpo específico.
Na relação com nosso próprios desejos e com o que fazemos deles é importante estabelecermos o grau de intimidade e de pecado, porque afinal, ninguém é de ferro.

Toda essa intensidade é uma espécie de febre ... que procura uma identidade.

Um comentário:

  1. Uau Afani! Baita texto! Concordo plenamente... Não gosto dessa vulgarização do sexo. Acho algo muito importante para se fazer como quem saca dinheiro do banco...

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